Viver Devagar

Há uns dias vi uma foto publicada no Facebook por um amigo. Era uma belíssima foto de família, a preto e branco, com o pai deitado na terra, nas ervas, com dois filhos sentados em cima de si, um nos joelhos e outro no peito. Do lado esquerdo estava a mãe, igualmente sentada no chão, com um pequeno no meio das pernas cruzadas e um bebé ao colo.

A foto sugeria ser Verão, no campo, e o casal e quatro filhos estavam à sombra, relaxados, descontraídos.

Aquela fotografia em particular transmite uma tal sensação que as centenas de comentários, aos quais juntei o meu, iam no mesmo sentido – que maravilha!

platja en familia_julia sarda

Comentei alto, ai coitada desta mãe, 4 rapazes! e levei logo com um coitada porquê?!, como se eu estivesse a dar a entender que ter 4 filhos fosse uma tragédia. Coitada porque se eu frito com 3 imagina ela com 4.

E fiquei a pensar. Pensei como nos anos 50, ou 60, ter 4 filhos não é o mesmo que agora. O ritmo de vida era outro, mesmo na cidade. Sobretudo na cidade. Continuar lendo Viver Devagar

Anúncios

Das contradições (e das pequenas coisas)

Na página de Facebook da Mãegazine acabei de partilhar uma imagem de uma página intitulada Becoming Unbusy. A tirada é esta e diz que no fim da linha não nos lamentaremos do tempo a mais despendido com os filhos.

A primeira contradição é que se há quem fique contente de despachar filhos para avós sou eu e já estou a esfregar as mãos agora com a Páscoa (eheh). E depois fica-me muito bem partilhar uma imagem destas… Mas essa contradição é humana e até tem graça. E eu sou o perfeito peixe que mordeu o isco.

Como assim? Continuar lendo Das contradições (e das pequenas coisas)

Do privilégio

Há uns largos dias publiquei na página de Facebook da Mãegazine uma pequena banda desenhada que explicava o que era o privilégio. A BD é esta:

Podemos perceber que, na prática, os diferentes pontos de partida na vida são bem diferentes, o que acaba por condicionar em boa medida o que acontece no desenrolar da mesma. Continuar lendo Do privilégio

Vamos #emãegrecer com cabeça?

É oficial – estou a precisar de perder 5kg. É uma mer chatice, mas é verdade.

E tenho uma pequena suspeita de que não estou sozinha.

Não sei como é com as outras pessoas, mas entre Setembro e agora, meio de Fevereiro, engordei 5kg. Entre as festas, o Natal e passagem de ano; alguns aniversários e respectivos bolos e tão somente seguir a minha natureza (enfardadeira), comi como gente crescida e sem medo do amanhã.

Pois o amanhã chegou agora numa consulta médica em que vi +6 do que devia. Dei de barato 2 extra, é da roupa, sabe que lá em casa marca dois abaixo, olhe que não, menina, olhe que não.
Isso e ver-me no espelho comunitário, quando fico desfasada da maralha toda na aula de zumba onde apareço uma vez por mês. Assim tive uma epifania, daquelas que não motivam nada, bem pelo contrário – estou a precisar de fechar bem as calças outra vez e de poder dobrar o joelho sem fazer garrote.

E agora a má notícia – as dietas são todas uma treta.

Continuar lendo Vamos #emãegrecer com cabeça?

Carta ao meu pai

Querido pai,

Falta pouco para nos conhecermos: pode parecer uma eternidade, mas uma gravidez passa sempre depressa.

Enquanto contas os dias sei que não estás tão descansado como queres transparecer.
Passam-te milhares de coisas pela cabeça. E se as coisas não correm bem? E se eu não gostar do meu bebé? E se ele não gostar de mim? E se eu não souber educar bem? E se ninguém o convidar para as festas? E se a escola correr mal? E se…

Sabes que nem tu nem ninguém tem as respostas para esse e se… porque o caminho faz-se a caminhar e só quando as coisas acontecem é que podes responder com propriedade.

Mas há uma coisa que eu sei e essa coisa não está em nenhum motor de busca nem em nenhum livro: Continuar lendo Carta ao meu pai

Os cereais que salvaram os meus pequenos almoços

cereais-mgz

Há os dotados para a cozinha e há os nabos que têm de se desembrulhar (abstive-me de escrever desenrascar porque a minha mãe não gosta…). Estou claramente na 2ª categoria.

Ter um robô ajuda enormidades, mas a cena do pequeno almoço saudável não estava a ser a minha praia… até descobrir a receita milagrosa que salva as minhas manhãs 😍 Continuar lendo Os cereais que salvaram os meus pequenos almoços

(outra vez) sobre balanços

Estou a repetir-me, bem sei, mas lá venho falar de balanços.

Há os clássicos, na passagem do ano (civil). Entre Dezembro e Janeiro há ali uma fase de fresh new start, página em branco que sabe muito bem. Falo disso aqui.

Depois há o novo ano lectivo, o arrumar as tralhas das férias e a rentrée – novo ano escolar, novo ciclo de trabalho, novo Outono e Inverno… Mais aqui.

E depois há os aniversários, nossos e da prole. Continuar lendo (outra vez) sobre balanços