O que fazer quando as birras tomam proporções épicas? (com pdf)

Sabem aquelas crianças que se atiram para o chão aos gritos, a chorar descontroladamente, a bater com as mãos serradas e os pés no chão? Daquelas para quem provavelmente olham para os pais com olhar reprovador, por terem criado semelhante criatura?

Sabem, não sabem? Eu também sei.
Tenho uma assim em casa.

(abraço solidário para todos os que me lêem e se revêem nestas cenas)

As birras surgem sobretudo na faixa etária próxima dos 2 anos (por vezes até cerca dos 5). Porquê? Vamos por partes:

1. Desenvolvimento – o cérebro de uma criança destas idades desenvolve-se a um ritmo alucinante (basta pensarmos nas suas gigantescas aquisições cognitivas, nomeadamente de linguagem). Estão a tentar perceber o mundo. Têm uma visão brutalmente egocêntrica – vêem o mundo à maneira delas – e as capacidades sociais estão ainda pouco desenvolvidas

2. Personalidade – há crianças que têm um feitio mais fácil, são naturalmente mais obedientes ou calmas ou bem-dispostas. E há os que são mais reactivos, mais assertivos, mais refilões, mais difíceis. É assim, uns têm olhos castanhos e outros verdes ou azuis. Nada a fazer, nasce connosco.

Por isso encontramos birras de diferente amplitude numa escala de intensidade. E há crianças que fazem birras de proporções épicas.

A que se deve a birra?

Diz quem sabe que é uma necessidade por satisfazer. Pode ser medo, fome, falta de descanso, ou uma súbita e imperiosa vontade de fazer uma palermice coisa qualquer. Mas essa palermice coisa é válida aos seus olhos. E até mesmo importante!

Quando nos vemos numa situação destas, como a acima descrita, sentimos igualmente um turbilhão de emoções, da irritação à vergonha (por ser o nosso filho a fazê-lo), passando pela cólera. As emoções são contagiosas e o mais imediato é respondermos na mesma moeda. Chama-se a isto reactividade emocional.

Vai daí e temos vontade de levantar a voz, dar uma palmada no rabo, arrastar a criança para fora do local onde está a fazer a triste cena ou estas coisas todas ao mesmo tempo. Mas muitas vezes apenas serve para amplificar a birra e a já extravasada emoção da crianças.

Como reagir então?

1. Manter a cabeça fria (é muuuuito difícil mas essencial). Respirar fundo e contar interiormente até 10 se for preciso

2. Identificar o que causou a birra – fome? ser contrariado? termos dito que não a qualquer coisa? medo?

3. Colocarmo-nos na pele da criança para perceber o que está a acontecer. As birras não surgem porque nos querem chatear de propósito. Surgem porque, na sua perspectiva, sentem que o mundo está errado. Pensarmos como seria se estivéssemos no seu lugar (criar empatia) ajuda a percebermos o seu ponto de vista.

4. Verbalizar e etiquetar a violenta emoção que está a ser vivida:

Estás a sentir-te frustrado porque…
Gostavas de ficar aqui mais tempo, não era?
Sentes uma grande raiva por não poder…
Estás com um bocadinho de medo de…
Gostavas de comer aquilo, não era?

5. Avaliar a nossa própria postura – vale a pena manter o não, ou vale a pena ceder? Há coisas negociáveis e não negociáveis, é preciso ver qual se aplica caso a caso

6. Mostrar disponibilidade e firmeza. Pode parecer antagónico, mas ambas são essenciais. É tudo o que menos nos apetece, mas muitas vezes um abracinho ou miminho é o que precisam. É provável que não tenham vontade nenhuma de nos dar um abraço (nós ainda menos…), mas estarmos disponíveis para um mal queiram fazê-lo. Eis um exemplo:

Eu sei que gostavas de ficar um bocado mais, mas está na hora de regressarmos. Gosto muito de ti, mas não gosto desta gritaria que estás a fazer. Vamos acalmar? Dás-me um abracinho? 

clica na imagem para guardares o pdf com estas dicas:

como reagir birra blogue

Muitas vezes reagimos a quente e fazemos o exacto oposto do que deveríamos, só para descarregarmos a nossa própria frustração. Palmadas, chantagens emocionais (já não gosto de ti se…) e colarmos a acção à pessoa (és mesmo feia/má em vez de dizer agora estás a portar-te muito mal, sei que és capaz de bem melhor) podem resultar a muito curto prazo, mas vão minando a relação de confiança e segurança entre o nosso filho e nós. Acaba por ser pouco saudável.

A teoria é bem mais simples que a prática, como em quase tudo… Mas a realidade é que não deixamos de gostar do nosso filho por estar a fazer uma fita monumental. Que tal passamos a mostrar isso, mesmo durante uma birra de proporções épicas?


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Apesar deste texto ser original, as sugestões são do Doutor Justin Coulson, fantástico psicólogo australiano cujo livro recomendo vivamente e que dá para acompanhar através do Facebook

ilustração de Yin Jun

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7 comentários sobre “O que fazer quando as birras tomam proporções épicas? (com pdf)

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