#semstress (ou lá perto) em 15 pontos

(este site é meio magazine meio blogue onde vou partilhando ideias mundanas ou profundas. Certos textos partem da minha experiência, que não pode ser radicalmente diferente da de muitas mães por este país mundo fora. Este encaixa-se nesta categoria)

respira mãegazine

Assumo ser uma stressada. Não era assim antes de ter filhos. Mas, não sei como, três putos à perna fazem-me ser a Fabienne Lepic da série francesa que passa na RTP2 (1ª temporada).

A vida familiar reúne uma série de características que fazem com que a logística sobre quase sempre toda para mim, com honrosas excepções. Creio que isto não é propriamente uma estreia debaixo do sol e, tanto quanto observo à minha volta, é o que acontece com a esmagadora maioria das mães (que conheço, pelo menos) (hei-de escrever mais profundamente sobre isto…).

A isto acrescento algumas responsabilidades extra trabalho e filhos, com picos de intensidade. Isto cria uma situação de andar a flirtar com burn-out, mas sem nunca tombar, vá.

Infelizmente revelo com alguma regularidade o Mr. Hyde que me habita. Por outras palavras, a tampa salta por dá-cá-aquela-palha. Normalmente pela palha que os putos dizem/fazem, mas não só. Os que integram o círculo muito íntimo vão conhecendo o Mr. Hyde, para os restantes sou habitualmente o Dr. Jekyll… (riso maléfico enquanto esfrego as mãos e semicerro um olho, que treme).

Escrevo aqui para reunir num mesmo espaço o caminho virtuoso que quero trilhar, não para me vangloriar de ser assim relaxada e zen e calorosa e adorável e empática em todo o momento.

Mas

Mas estou francamente melhor dos níveis de stress. Já não expludo tão facilmente e estou a conseguir encher os níveis de resistência e endurance para aguentar o barco sem grandes chatices.

E vai daí e acho que vale a pena escrever sobre o como é que estou a baixar o stress. Por duas razões. 1) Outras podem estar a sentir e a passar o mesmo e podem tirar algum proveito desta experiência e aprendizagem; 2) para registo pessoal, não vá dar-se o caso de fritar de vez e assim já sei onde ir buscar os recursos necessários, ah ah.

As coisas que me aliviam mesmo a vida:

✔dormir a noite toda. Os bebés são lindos, deliciosos, maravilhosos, mas fo lixam-nos as noites (quem me contestar é bloqueado). Ter feito um diário de sono nos meses críticos fez-me perceber quão supliciadas eram as noites que passava. A fase crítica passou, ao fim de 18 meses (yep, isso)

✔deitar cedo. Isso implica não estar à frente de ecrãs cuja luz nos bloqueia o processo de indução do sono

✔ter sempre o mesmo horário para acordar. Isto é peanuts quando não acordamos 6x/média por noite, em que só queremos ficar a dormir mesmo que isso implique desligar o despertador 12x e queimar os horários todos…

✔jantar cedo e deitar os miúdos o mais cedo possível. É bom para eles, é bom para nós, ficamos todos a ganhar

✔aceitar de coração a previsível horribilidade das coisas. Esta fantástica frase (versão original em inglês) é a máxima de uma amiga. E que verdade ela encerra! Aceitar que é uma fase que atravessamos, que os putos não vão encher de gordura/papa/leite/molho de tomate/chocolate/cocó/vomitado a roupa/chão/tapete/cadeira do carro/banheira/sofá/sapatos (cortar o que não interessa)

✔não só aceitar de coração, como antecipar com a cabeça a previsível horribilidade das coisas, com tudo o que estiver ao nosso alcance: spray impermeabilizante para o sofá e tecidos importantes; ter N mudas de resguardo de colchão; deixar os miúdos mais tempo na cama de grades ou cadeira se tiver de ser para se alimentar os outros sem demasiadas guerras; promover a autonomia, sim, mas se for a escola que inicia o processo de tirar fralda ou comer à colher nós agradecemos; ter creme antifúngico para ajudar a tratar as assaduras do rabo; ter sempre ibuprofeno e paracetamol para miúdos em casa; ter o carro com papel higiénico, toalhitas, fraldas, jogos e áudio-livros com fartura e por aí fora

✔ter a logística a funcionar, seja garantir o estacionamento, organizar as coisas em casa (quando trocar lençóis e toalhas, quando fazer compras, etc), ter ajuda na limpeza da casa, fazer compras de supermercado online, pagar as contas a tempo e horas ou alinhavar as refeições da semana. Palavra de ordem é organização

✔estrutura, estrutura, estrutura. Ou ritmos ou rotinas ou o que queiram. Ter a vida previsível ajuda horrores. Segunda é tal, terça é assim, quarta é assado…

✔fazer algum tipo de actividade física. Não, aqui não incluo acartar com o carrinho pelas escadas acima/abaixo ou pegar nos pequenos para chegarem ao bebedouro. Não, isso é o caminho certo para as contracturas musculares ☑. Estou a falar em exercício deliberado e, se possível, regular. Não é para fazer alarde, mas o facto de fazer diariamente 10′ a 15′ de exercícios hipopressivos fez-me reduzir o perímetro abdominal em 3 cm (agora, não no pós parto). Ah pois ☺

✔integrar a nossa vida na dos miúdos (eu sei, parece estar ao contrário) e assumir que se sonhamos apenas com delegar a miudagem para fazer x ou y, nunca o faremos. Trocando por miúdos, vivam os locais que acolhem as famílias, de restaurantes com zonas recheadas de brinquedos a ginásios com horários pais/filhos coincidentes

✔passar tempo em família de qualidade, a rir, fazer macacadas, aprender a andar de skate ou a jogar à apanhada. A agressividade desvanece-se com o riso, é científico

✔ir para regularmente para espaços naturais e arejados. Parques, praia, jardins, tanto faz

✔confiar mesmo nas pessoas e instituições a quem entregamos os filhos durante 8 a 10h/dia. Este é tão essencial como dormir bem. Caramba se é. Os níveis de stress disparam lá para os Himalaias quando as coisas correm mal

✔partilhar experiências e trocar ideias com mães amigas. Se isto ajuda! É da escuta empática. Só quem passa pelo mesmo consegue perceber a nossa perspectiva. É particularmente eficaz quando a amiga nos bate aos pontos, seja por maior experiência de vida, maior nº de filhos, menor rede de apoio, idades ligeiramente superiores ou qualquer outra característica

✔colocar efectivamente em prática o mãedamento nº1: cuida de ti em 1º lugar. Depois do sono, exercício (ainda que seja andar a pé ou subir escadas), alimentação com mais verdes e menos porcarias (nem vale a pena dizer, todos sabemos separar o trigo do joio, fazemos é vista grossa) vem… o investimento em nós. Seja uma máscara ou eyeliner para os olhos, ler um bom livro, dar um salto ao cinema ou preparar a roupa de véspera para ficarmos à maneira, tudo vale para baixar os níveis de stress 😍

melro

Agora sou eu

Escrevo este texto na véspera do mais velho ir para a escola oficial, a escola a sério. As aulas estão aí e com ela uma série de ritmos e rotinas que vão adaptar-se às nossas vidas. Depois de conhecer horários e testar percursos e tudo isso, logo se vê onde podemos encaixar a ginástica, o ginásio, a piscina ou a música. Se der.

Mas agora sou eu.

É o que dá vontade de dizer.

Depois da fase bebé (roupa largueirona e de trazer por casa, mesmo que seja para o trabalho) (…) e da fase um pouco menos bebé mas ainda não durmo nada de jeito, atingi a fase agora sou eu.

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Da mudança

Não é novidade nenhuma: se há algo que caracteriza a vida, esse algo é a mudança. Mas partindo desta evidência, há muitas nuances e subtilezas.

Há mudanças discretas, subtis, caladas, mínimas, internas, íntimas.

Há mudanças sonoras, estrondosas, inesperadas, súbitas, chocantes.

Uma e outra podem provocar sismos internos (ou externos). E ambas podem coincidir, dependendo da perspectiva.

hiroshige
Mar com tempestade, de Ando Hiroshige (o meu artista favorito de *sempre*) Continuar lendo Da mudança

Para o frio e para a chuva #LaRedoute

Recebi há dias o catálogo em papel da La Redoute. Na realidade são dois catálogos, um para roupa e outro para a casa, La Redoute Intérieurs. Andei entretida a folheá-lo, passei pelo site e descobri duas peças incríveis para o Outono e Inverno.

Na realidade são duas peças de roupa ultra marcantes, dois casacos de Inverno – um para a chuva e outro para o frio – desenhados por criadores franceses, em parcerias que a La Redoute estabelece regularmente.

Vem-me à memória este artista francês, o pai da chamada arte bruta: Jean Dubuffet

dubuffet_ontogenese Continuar lendo Para o frio e para a chuva #LaRedoute

B  A  BA do stress 

maegazine stress

Sei, por experiência própria – por estudar, por ler, por analisar – que o stress é tramado. Para quem tem filhos, sobretudo pequenos, o stress pode ser mesmo brutal (e soltamos o animal facilmente). Escrevi sobre isso no artigo Vamos falar sobre o ‘burn out’ materno?

O stress é uma resposta biológica, primária, e serve para nos defendermos. Defendermos das ameaças externas, dos perigos.

Agora já não são as intempéries, a falta de comida para caçar ou colher ou as tribos rivais (ideias de quem não é antropóloga, ah ah), mas são a falta de estrutura familiar de apoio, as exigências laborais, o tempo passado no trânsito ou nos transportes, as inúmeras exigências da vida numa capital europeia, às quais se juntam as pequenas e acumulativas chatices de uma vida corriqueira e, last but not least, o desafio que é ter 3 miúdos com idades inferiores a 7, com carácter bem (bem) (mesmo bem) vincado…

O nosso cérebro responde de uma de 3 formas ao stress: ou atacamos, ou fugimos, ou congelamos.

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Waterproof

waterproof maegazine

Há um acessório de praia para quem tem crianças pequenas que considero verdadeiramente ESSENCIAL e nunca, nunca o vi em nenhum artigo de revista/site/etc em nenhum lado.

Ora bem. O acessório em questão é pequeno, é barato (a partir de 3.5€) e é… Continuar lendo Waterproof

Pensamentos soltos de Verão 

 

virginie Morgand 2

1. Há quem não tenha ideias para continuar blogues. Eu tenho as ideias, não tenho é o tempo – ou melhor, a disponibilidade para o fazer. A verdade é que Continuar lendo Pensamentos soltos de Verão