Auto-superação (e provas de aferição)

Não sei se é um exclusivo de mães de famílias numerosas (olá pessoal!), ou se vai de cada um, mas quando me pediram, numa festa dedicada ao Dia da Mãe, para definir a maternidade numa palavra, confesso que me veio à cabeça a palavra exaustão, mas achei que ficava um bocado foleiro naquele contexto

Entre Amor, Amoroso, Infinito e outras quantas dentro do mesmo estilo, soletrei ao mais crescido uma palavra para ele escrever, ocupada que estava entre o colo exigido pela criança de 16 kg e a de 27, qual delas puxa mais pela manga ou se pendura nas calças aos choradinhos. A palavra soletrada foi auto-superação.

brincadeira

Eu sei que é um bocado auto centrado, mas foi o mais honesto que pude pensar naquele instante. E fiquei com a impressão de que 1. ou as outras pessoas tapam o sol com a peneira para ficar bem na fotografia, ou 2. eu vivo mesmo numa realidade meio paralela (sendo que o meia nesta frase não serve para nada). É por ter 3 filhos?

Artigos dizem que mães de 3 são as mais stressadas de todas porque há sempre um que nos escapa e ainda não chegámos ao ponto do ou relaxo ou colapso, eles viram-se sozinhos que não chego para tantos. 3 putos (ou +) em idades e fases distintas exige um constante driblar de atenção e tentativa de ir ao encontro das necessidades de cada um. Se esse malabarismo já por si não é evidente, com doenças, viroses, más notas, más noites, excesso de trabalho ou escassez de descanso ainda menos! Abraço solidário a quem atravessa estas fases, daí o ter republicado no Facebook o artigo Amar a Imperfeição (vamos tatuar isto na testa mesmo?! 😉 )

A definição de superação no dicionário Priberam é

Agora aplique-se isto a si mesmo:

Auto-superação é uma pessoa exceder-se, ultrapassar-se, galgar e vencer as suas próprias dificuldades.

Pumba, nem mais.

Ser mãe é isto.
É ser capaz de melhorar cada dia, tentar acertar mais, tentar falhar menos, tentar amar melhor, tentar encontrar modos saudáveis e eficazes de contornar certas dificuldades para levar a bom porto o barco: 
que a prole cresça feliz e saudável e se tornem pessoas curiosas, apaixonadas, respeitosas, trabalhadoras, esforçadas, honestas, com valores.


E o que tem isto que ver com as provas de aferição e os testes e exames que se aproximam?

O que fazer quando se encontra uma razoável resistência e uma total inconsciência das consequências que a eventual negligência escolar poderá ter na vida futura de uma criança/adolescente (não compro guerras de ser pro ou anti escola, un-escola, world-escola, casa-escola ou escola-escola)?

Faltam cerca de 5/6 semanas para as provas de aferição e deparo-me com algumas dificuldades e frustrações mútuas, e por isso vamos tentar uma nova abordagem:

Técnicas de produtividade aplicadas ao estudo da prole. Como?

  1. Pensar nos objectivos concretos e realizáveis – correcção de erros ortográficos (leitura e escrita), melhoria da caligrafia (escrita), melhoria do cálculo e compreensão de problemas (exercícios de matemática), etc
  2. Organização da semana por objectivos – 2ª matemática, 3ª leitura, 4ª escrita, etc
  3. Toma lá uma agenda só tua (como aquelas fantásticas que a revista espanhola Telva oferece na edição de Dezembro)
  4. Responsabilização/ tomada de consciência – escreve na agenda o que é para fazer em que dia, TODAS as semanas até ao dia da prova
  5. Responsabilização/ prestação de contas (accountability) – cada dia consultas a agenda e depois marcas um ✔ ou um ❌ na tarefa designada
  6. Reforço positivo – queres receber a coisa X ou fazer a Y? Vamos cumprir com os objectivos e no dia Z consegues o que queres 🙂
  7. Balanço – isto é tudo muito bonito em teoria mas é importante fazer balanços semanais para ver se é preciso readaptar o plano à realidade da vida

Para ajudar neste ambicioso plano (se funcionar é do caraças, porque isto são ferramentas essenciais para toda a vida), só juro pelos temporizadores de cozinha, ajudam enormemente nas transições (quando tocar vais tomar duche/lavar os dentes/fazer os TPC/arrumar o quarto/deixar de jogar/etc).

Escrevo não de barriga cheia de sucessos mas cheia de dúvidas e na expectativa da 1ª vez. Mas como tenho uma fezada de que isto deve funcionar (não me dei ao trabalho de ler artigos de outrem), aqui publico esta ideia, pode ser que vos ajude igualmente. Se sim, ou se já experimentaram, por favor comentem e partilhem as vossas experiências 😀

A Mãegazine anda por aqui, pelo Facebook e pelo Pinterest para guardar coisas giras e vistosas 😉

Slow Down (a canção)

E pronto, é isto:

(chorem despudoradamente, como eu faço sempre que vejo este vídeo…)
😭😭😭😭😭

Viver Devagar

Há uns dias vi uma foto publicada no Facebook por um amigo. Era uma belíssima foto de família, a preto e branco, com o pai deitado na terra, nas ervas, com dois filhos sentados em cima de si, um nos joelhos e outro no peito. Do lado esquerdo estava a mãe, igualmente sentada no chão, com um pequeno no meio das pernas cruzadas e um bebé ao colo.

A foto sugeria ser Verão, no campo, e o casal e quatro filhos estavam à sombra, relaxados, descontraídos.

Aquela fotografia em particular transmite uma tal sensação que as centenas de comentários, aos quais juntei o meu, iam no mesmo sentido – que maravilha!

platja en familia_julia sarda

Comentei alto, ai coitada desta mãe, 4 rapazes! e levei logo com um coitada porquê?!, como se eu estivesse a dar a entender que ter 4 filhos fosse uma tragédia. Coitada porque se eu frito com 3 imagina ela com 4.

E fiquei a pensar. Pensei como nos anos 50, ou 60, ter 4 filhos não é o mesmo que agora. O ritmo de vida era outro, mesmo na cidade. Sobretudo na cidade.

    Agora é a loucura de exigência de trabalho com X horas no mínimo e prazos para ontem; a loucura de horas no trânsito; do estacionamento ou falta dele; no crosse para ir buscar este e levar aquele para outro local; de notificações a cair no computador e telefone, responder aqui, comentar acolá.
    E a corrida para chegar a horas de manhã à escola e para ter tudo jantado idealmente antes das nove e meia, faz a digestão na cama, lá para as dez. E as respostas tortas de quem tem de gerir o stress, o seu e o dos outros, que são pequenos e não têm culpa nenhuma, ou até têm que estão a ficar uns mal criados e isso é que me faz trepar as paredes e passo o tempo a respirar fundo e a deitar as mãos à cara, a pensar na nódoa de educação que devo estar a dar, a culpa é minha só pode. E a culpa e o ressentimento e coitada daquela mãe com 4 filhos, se eu frito com 3 imagina ela com 4.

    ester aarts

    Vivemos demasiado depressa, com uma sensação de urgência nos consome por dentro – falo por mim. O café não ajuda, dá aceleração cardíaca, mas sem isso estava boa para dormir profundamente e acordar 100 anos mais tarde, fresca e airosa – finalmente!

    E depois tropeçamos numa família que não é dos anos 50 ou 60, é de 2017. 4 filhos também, meio meio, menino menina, e que em plena semana vão acampar para uma praia deserta no Verão primaveril tão inusitado. E montam tenda e jantam e ainda abrem uma ou duas garrafas de vinho para celebrar os 37 anos da mãe. E têm estampada na cara a mesma expressão de quem curte a vida a cada momento e o facto de viverem na cidade não os impede de curtir a família, fazer pão, ketchup, bolachas, massa, jantares semanais com e para amigos ou plantar os seus legumes. Esta família existe e é tão extraordinária que fiz uma entrevista para tentar perceber o seu segredo.

    viver devagar.jpg

    O segredo está agora também nas (entre)linhas do livro que se chama… Viver Devagar 😉

    Tenho o privilégio de já o conhecer porque fui uma sortuda – a Maria convidou-me a escrever um artigo para o seu livro 😊

    Tenho curiosidade de o ter nas mãos para me deixar imbuir deste espírito relaxado e calmo e tentar viver mais devagar. É uma arte ao alcance de poucos, suspeito que nunca chegarei sequer aos seus calcanhares (além de que o conforto até é uma prioridade cá em casa, já tive a minha dose de tendas 😜 ), mas a sua sábia filosofia vai fazendo caminho…

    Das contradições (e das pequenas coisas)

    Na página de Facebook da Mãegazine acabei de partilhar uma imagem de uma página intitulada Becoming Unbusy. A tirada é esta e diz que no fim da linha não nos lamentaremos do tempo a mais despendido com os filhos.

    A primeira contradição é que se há quem fique contente de despachar filhos para avós sou eu e já estou a esfregar as mãos agora com a Páscoa (eheh). E depois fica-me muito bem partilhar uma imagem destas… Mas essa contradição é humana e até tem graça. E eu sou o perfeito peixe que mordeu o isco.

    Como assim?

    Fui procurar quando surgiu a página Becoming Unbusy no Facebook. Como já não existe a barra do tempo, toca a ir sempre para baixo, e para baixo, e para baixo, e para abaixo e… cheguei ao final do mês de Março. Oi?! A página não se chama Becoming Unbusy?! Oi?! Há quilos de publicações por dia em torno da temática da simplicidade!

    Para quem não sabe, gerir uma página de Facebook que se quer sempre a crescer e sem pagar publicidade exige MUITO tempo: a procurar conteúdos na net; a escrever textinhos apelativos para atrair os cliques; a criar as imagens com as citações com potencial viral; escrever ou procurar as tais citações com potencial; agendar a publicação desses conteúdos todos para não se encavalitarem; responder aos comentários; avaliar as horas/dias/tipo de conteúdo que tem sucesso, enfim, é um trabalho a tempo inteiro e existe e é remunerado.

    O que achei piada é o facto de uma página que apregoa Becoming Unbusy, deliberadamente procurarmos a simplicidade e o retirar coisas da nossa vida e blá blá blá, ter uma atitude tão agressiva e profissional de crescimento online, tão busy justamente 😉

    Ainda me dei ao trabalho de ver o site e a conta de Pinterest da autora e descobri que tinha mais de um milhão de seguidores e quase tantas pastas distintas de temáticas de Pinterest…

     

    E pus-me a pensar na contradição disto tudo: navegamos nas redes sociais para tropeçarmos em tiradas preparadas por profissionais de marketing digital de que o que é bom é… estar fora das redes sociais. 

     

    Nesta época que vivemos, partilhamos filminhos e imagens de simplicidade e empatia e conexão e idas para a natureza e por aí fora e depois não levantamos o rabo da cadeira ou os olhos do ecrã.

    A verdade verdadinha é que é por essa contradição e por ter vontade de ser coerente que só aqui escrevo quando calha, ao contrário de retomar uma actividade blogueira mais intensa, como começou por ser (e que potencial teria!).

    A verdade verdadinha é que combinei com uma amiga que cortávamos no açúcar 6 dias por semana e ao fim de mais de um mês (e algumas bastantes descaídas) quase não noto diferença nenhuma na balança ou nas calças, mas ela recordou-me que o que importa não é forçosamente visível – estamos a cortar um vício e isso é que conta.

    A verdade verdadinha é que ser coerente e evitar ao máximo o plástico descartável faz com que quase nunca possa comer sequer uma salada de fruta ou maçã assada no trabalho e que beba o café quase sempre sem companhia.

    A verdade verdadinha é que ter de preparar iogurtes caseiros (que não sei bem como vão azedando no processo) e o pequeno almoço maravilha de véspera dá trabalho, mas dá ainda mais gozo não ter cereais processados em casa e conseguir sobreviver a isso.

    A verdade verdadinha é que não tenho quase fotos nenhumas (de jeito) dos putos, mas vou coleccionando umas pinturas jeitosas que vamos fazendo ao fim de semana com uma caixa de aguarelas.

    A verdade verdadinha é que não faço nada Montessori ou Waldorf de forma estruturada, mas ponho-os todos a sacar folhas de agriões, de grelos e de espinafres, que depois comem como gente crescida, antes de ficarem hipnotizados com uns quantos contos de fadas lidos à luz de uma lanterna com velas. E tenho a certeza que isso vai marcar a sua infância.

    A verdade verdadinha é que não podemos viver sempre numa contradição e temos de decidir se queremos ficar a consumir tiradas em ecrãs que nos dão a ilusão de uma vida inspirada e mais simples, ou se saímos *efectivamente* da nossa zona de conforto e arregaçamos as mangas para pequenas pequeníssimas coisas cujo resultado é pouco ou nada palpável, glamouroso… ou sequer simples 😜

    Na Mãegazine apregoo menos do que me esforço por fazer, mas não desdenho totalmente as redes sociais, por isso estou no Facebook e Pinterest (e noutras mas sem estar), para além de estar aqui, claro! Subscrições são sempre bem-vindas 😀

     

     

    Do privilégio

    Há uns largos dias publiquei na página de Facebook da Mãegazine uma pequena banda desenhada que explicava o que era o privilégio. A BD é esta:

    Podemos perceber que, na prática, os diferentes pontos de partida na vida são bem diferentes, o que acaba por condicionar em boa medida o que acontece no desenrolar da mesma.

    Hoje ouvi uma emissão de rádio onde uma actriz era entrevistada. Mas a actriz não era uma actriz “normal”, na medida em que não era profissional nem tinha estudado em nenhuma escola de teatro. A actriz é uma empregada da limpeza que faz hora e meia de espectáculo em duo. Foi “descoberta” por um autor que trabalhou com ela e não há qualquer distância entre a mulher e a personagem – são a mesma.

    Corinne Dadat tem 55 anos, 4 filhos, um deles a viver na França Ultramarina, e diz que deixou de cumprimentar as pessoas com um bom dia depois de muitas, muitas, muitas vezes o ter feito sem ter ouvido resposta. Diz que as mulheres da limpeza são invisíveis, não apenas por muitas vezes trabalham antes dos patrões entrarem em casa e não se cruzarem. Acumula vários trabalhos, entre o trabalho fixo – limpar um grande liceu – e algumas casas particulares.

    Alguns dos professores foram assistir ao seu espectáculo, que vai subir ao palco de um dos maiores teatros parisienses, o Thêàtre de la Colline. Depois de a verem em cena passaram a cumprimentá-la, e até a tratam pelo nome.

    Corinne Dadat vai em digressão ao estrangeiro, mas está fora do seu alcance pagar uma viagem à terra onde está o seu filho mais velho. Uma outra filha trabalha nas limpezas, mas diz que é temporário, enquanto se prepara para concursos para certas escolas. Outro filho trabalha numa pizzaria de entregas ao domicílio.

    Corinne diz que isto durará o tempo que durar, mas já ganhou o suficiente para comprar um táctil (smartphone) que lhe permite matar a saudade do filho, visitando-o virtualmente com o Whatsapp. Conta que talvez tenha a visita de uma grande actriz de cinema numa das suas apresentações, mas que não se está a tornar numa estrela. E que é muito difícil envelhecer quando se faz um trabalho chato – como o seu.

     

    Estamos tão habituados a determinadas compartimentações que nos parece estranho ouvir uma voz assim, com sotaque dos bairros pobres, em antena. E parece inusitado uma empregada da limpeza subir ao palco de um grande teatro – e é, é algo que rasga a convenção, o habitual, o que seria expectável.

    Uma das empregadas do bar do meu trabalho, uma mulher de armas e com uma memória prodigiosa para números, desabafou alto com quem lá estava que este ano ainda a íamos ver num caixão: tem uma doença hereditária que se agrava muitíssimo com o stress. O stress advém, entre outros, de ter mais um ou dois trabalhos para além do trabalho de onde a conheço. Uma cliente comentou que se ganhasse bem onde estava, escusava de se desdobrar em trabalhos (e consequentemente aumentaria a sua saúde). É fácil falarmos quando estamos numa situação privilegiada, como é claramente a da cliente que o proferiu. Fiquei a pensar no assunto e no abismo que separa estas duas mulheres – a empregada e a cliente.

    Li este artigo que se auto intitula de defesa de uma vida medíocre. A autora defende uma vida medíocre mediana, em que temos ambição qb e aceitamos a vida que temos, com um corpo mediano e não espectacular, com um trabalho com impacto local e não mundial, um ritmo de vida mais lento e menos “MAIS, MAIS, MAIS”, sendo esse MAIS a produtividade, a casa imaculada, a comida sempre saudável, uma atitude materna sempre disponível.
    O artigo termina com “What if I embrace my limitations and stop railing against them? Make peace with who I am and what I need and honor your right to do the same. Accept that all I want is a small, slow, simple life. A mediocre life. A beautiful, quiet, gentle life. I think it is enough.”

     

    Li este artigo e cruzei com o diálogo que assisti e a história que ouvi na rádio.
    E fiquei a pensar como somos uns privilegiados e boa parte do tempo nem temos noção disso.

    Vamos #emãegrecer com cabeça?

    É oficial – estou a precisar de perder 5kg. É uma mer chatice, mas é verdade.

    E tenho uma pequena suspeita de que não estou sozinha.

    Não sei como é com as outras pessoas, mas entre Setembro e agora, meio de Fevereiro, engordei 5kg. Entre as festas, o Natal e passagem de ano; alguns aniversários e respectivos bolos e tão somente seguir a minha natureza (enfardadeira), comi como gente crescida e sem medo do amanhã.

    Pois o amanhã chegou agora numa consulta médica em que vi +6 do que devia. Dei de barato 2 extra, é da roupa, sabe que lá em casa marca dois abaixo, olhe que não, menina, olhe que não.
    Isso e ver-me no espelho comunitário, quando fico desfasada da maralha toda na aula de zumba onde apareço uma vez por mês. Assim tive uma epifania, daquelas que não motivam nada, bem pelo contrário – estou a precisar de fechar bem as calças outra vez e de poder dobrar o joelho sem fazer garrote.

    E agora a má notícia – as dietas são todas uma treta.

    (o horror, a tragédia)
    Isso mesmo, sem medos nem pudores – uma treta. E não sou eu, pobre comum, quem o diz – são científicos que estudam a matéria, biólogos e nutricionistas independentes* que têm acesso a estudos controlados que habitualmente não chegam ao conhecimento geral e que não interessam nada à lucrativa economia dietética.

    E o que diz a ciência?
    Esperem que já lá vamos (não esperam tudo de bandeja no 1º parágrafo, pois não? 😉 )

    As dietas funcionam todas mais ou menos da mesma forma:

    Fase 1Restrição. Umas poucas semanas (cerca de 2) com:

    • corte total de hidratos de carbono
    • muita proteína (carne branca, fiambre magro, queijo fresco magro, ovos de galinha ou codorniz, peixe sem gordura, etc)
    • bastantes verduras/legumes e algumas frutas lá de uma lista xpto com mais ou menos alimentos proscritos (banana, cenoura, e por aí fora)
    • quase sem gordura, jamais em tempo algum gordura não vegetal poli insaturada

    A Montignac tem a particularidade de dissociar a gordura dos hidratos e das proteínas e de se poder comer queijos à fartazana, eh eh.

    Depois dessa fase em que ou se come a cada 2/3h (as gelatinas horríveis ou certos frutos secos ou as bolachinhas transgénicas de milho ou…) ou se fica uma eternidade sem comer para iniciarmos o processo de cetose (que dá um hálito do caraças), chegamos à:

    Fase 2 – Reintrodução de alimentos, bem devagarinho (depende de cada pessoa).

    Aqui só entram os “bons” hidratos (quinoas, arroz integral, batata doce, and so on and so on) e em doses espartanas.

    E chegada esta altura estamos esbeltas e felizes da vida! Vitória vitória acabou-se a história ❤ ❤ ❤

    (…)

    Fazer dieta é como as histórias que acabam com o casaram e viveram felizes para sempre – o camandro que viveram, que isto de se estar em casal é um desafio diário e a dieta também.

    Assim de cor, quantas pessoas conhecem que passaram por estes processos e voltaram ao que eram? Eu conto resmas. Serviu de alguma coisa? Sim, uns tempos. E depois? Depois voltaram ao que estavam, se não mais ainda.

    Qual a alternativa?!emaegrecer-mgz

    Minha gente, é só uma – passar por baixo do radar para não fazer disparar os alarmes do corpo.
    E como se faz isto?
    Com tempo, paciência, e ir tirando uma coisinha de nada, semana após semana.

    Um paralelo. Imaginem que querem roubar alguém. Têm duas estratégias:

    1. Chegam à grande, artilhados até ao dentes e trazem toda a fortuna de uma só vez
    2. Arranjam um esquema discreto e dia após dia gamam uns míseros cêntimos, até arrecadar uma bela soma, discreta e lentamente

    Em qual dos dois métodos têm mais hipóteses de não ser apanhados?

    Com o corpinho é isto tal qual. O homo sapiens sapiens está feito para viver em situações diversas e extremas. Milhares de anos de evolução fizeram com que fossemos capazes de armazenar para mais tarde, em caso de falta. Pois cada vez que fazemos uma dieta disparamos todos os alarmes biológicos que colocam o corpo em alerta. É certo, perdemos peso, mas e quando não ficamos estóicos a vida toda? Pumba, regressam os que lá estiveram e trazem amigos…
    A ciência explica que aquilo que há a fazer é usar a cabeça para enganar a cabeça. E temos de fazer com o que temos. Não vale a pena dificultar horrores a vida para ter as algas do outro lado do mundo ou as sementes milagrosas da floresta sub tropical da Oceania 😉

    Posta a explicação versão ultra simples (emissão de rádio que explica tudo em francês aqui a partir dos 17’30”), passo à prática.

    Se quiserem saber qual o vosso peso ideal, sugiro um site também francês. Nele é levado em linha de conta a estrutura óssea, pesos que tiveram no passado, nº de gravidezes… Está aqui no site da revista Elle.

     

    Como pretendo eu perder os 5kg?

    Começo por admitir que sou uma abençoada pela genética e apesar de ter engordado 18 (sim, de-zoi-to) quilos em cada uma das gravidezes, voltei ao peso inicial, que se tem mantido mais ou menos estável.
    Em abono da verdade faço zero esforço para ficar elegante e ninguém me demove da ideia de que as embalagens de chocolate de 300gr da Milka passam logo de prazo mal as abro e por isso ofereço 5 quadradinhos e como os restantes sozinha numa tarde. Esta sou eu. Apesar disso visto um 40, não é mau.
    Mas agora o 40 dá para esporadicamente me perguntarem (já vamos em duas vezes) se estou grávida outra vez… Grrrr. Se relaxo os hipopressivos então é o descalabro.

    Por isso vou pôr mãos à obra e retomar a disciplina que aplico semana sim semana não, para ser semana sim sim sim.

    O que tenciono comer?

    Pequeno almoço – trocar a baguete inteira com manteiga pela mixórdia de flocos de aveia marinados em leite com café/cacau/canela e sementes de chia para me sentir saciada (variantes desta receita aqui no Pinterest). Ou meia baguete e a outra meia ao lanche.

    Entre as refeições – bananas ou outras peças de fruta que tenha em casa ou no trabalho, eventualmente com frutos secos. Estou a ponderar as tais bolachas transgénicas de milho ou de arroz ou ovos cozidos ou cenouras cruas, assim só para dar ao dente. Sugestões?!

    Almoço e jantarcomer como é hábito mas alternando as proporções – atacar forte e feio nas verduras e proteína e comer menos hidratos. Por ex. ontem jantei arroz integral com tomates secos (embalados em óleo de girassol), um ovo cozido e uma gigantesca salada de alface e agrião, temperada à maneira. Era tanta a salada que nem via o arroz e fiquei saciada. Já hoje comi puré de batata, foi o possível e não vou fazer comida diferente do resto da famelga.

    Restrições – cortar os bolos e o crumble de maçãs e os croissants caseiros recheados e o chocolate (é a parte mais difícil, de longe!). Nunca bebo refrigerantes nem açúcar nas bebidas quentes nem iogurtes com aromas nem sumos nem nada, essa parte é fácil. Mas as ânsias de doces existem e espero que diminuam, já que está igualmente provado que o açúcar é uma droga e que cria habituação… Os hidratos ingeridos após as 17h têm fracas hipóteses de ser digeridos (a menos que façamos desporto ao entardecer, claro está), por isso são de evitar.

    Espero que o meu organismo não fique em modo alerta, sobretudo porque não tenciono reduzir drasticamente as quantidades 🙂

    Alguém alinha comigo para #emãegrecer com juízo?

    Comentários e sugestões são bem-vindos!
    *e críticas também, com imparcialidade e idoneidade dos contra argumentos

    melro

    PS – este artigo é uma opinião pessoal baseada em noções científicas cujo crédito está acima mencionado. Cada caso é um caso e há casos que têm de ser seguidos por médicos e porventura endocrinologistas. O que é reduzir para uns pode ser demasiado para outros, por isso é preciso (sempre!) bom senso e estar atento ao próprio corpo…

    Carta ao meu pai

    Querido pai,

    Falta pouco para nos conhecermos: pode parecer uma eternidade, mas uma gravidez passa sempre depressa.

    Enquanto contas os dias sei que não estás tão descansado como queres transparecer.
    Passam-te milhares de coisas pela cabeça. E se as coisas não correm bem? E se eu não gostar do meu bebé? E se ele não gostar de mim? E se eu não souber educar bem? E se ninguém o convidar para as festas? E se a escola correr mal? E se…

    Sabes que nem tu nem ninguém tem as respostas para esse e se… porque o caminho faz-se a caminhar e só quando as coisas acontecem é que podes responder com propriedade.

    Mas há uma coisa que eu sei e essa coisa não está em nenhum motor de busca nem em nenhum livro: Continuar lendo Carta ao meu pai