Dia de Portugal

De Camões e das Comunidades Portuguesas.
Hoje.

Parece que este dia feriado foi instituído em 1933 como o Dia da Raça (?!) (lusitana portuguesa, subentendia-se). Esta designação alterou-se com o 25 de Abril de 1974, mas o feriado nacional continuou a ser celebrado no dia em que morreu Camões (só que uns séculos antes – 1580).

Para ilustrar esta data, de certa forma filha do Estado Novo, neste site dedicado à maternidade e afins, recordo um cartaz criado em 1938 por Martins Barata (1899 – 1970).
Num documento online, que explica que faz parte de uma série de 7 cartazes comemorativos dos 10 anos do governo de Salazar, pode ler-se a seguinte análise da imagem:

O último cartaz da série, “Deus, Pátria, Família: a Trilogia da Educação Nacional” é uma esplêndida síntese da pedagogia e moral salazaristas: a imagem revela o lar perfeito, rústico, humilde, analfabeto, patriarcal, cristão. É a apologia da saudável e simples vida do campo, por oposição aos vícios gerados pela vida urbana. Lar simples, aconchegado, sem água nem electricidade, sem um jornal ou aparelho de rádio, nada que faça lembrar a indústria, a modernidade.
A mulher que, submissa, cumpre a sua missão de esposa e mãe; o pai, chefe de família, que chega do campo onde labuta para angariar o sustento da casa; o crucifixo, o pão e o vinho sobre a mesa, fazendo lembrar o sacrifício da missa; os filhos que, reverentemente saúdam o pai, ali o Chefe; ao fundo, o castelo com a bandeira nacional revela a gloriosa história da pátria.
É o mundo perfeito, sem violência, sem vícios, sem protestos, perfeitamente ordenado, traduzindo uma ordem económica, política e social que o Estado Novo considerava perfeitas. 

Falta acrescentar que o rapaz está fardado (e estava a ler?) e é representado como se estivesse a levantar-se, para saudar o pai, e a menina, mais pequena, brincava às bonecas. Estes cartazes estavam afixados na escola e veiculavam estes valores. 

Passaram-se 77 anos desde a criação – e divulgação – desta imagem. É de 1938 mas representa um interior de casa que podia ser muito anterior.
De lá para cá o fado voltou a estar na berra, o livro da escola primária é vendido em reedições numa célebre loja revivalista e a pátria debate-se com uma profunda crise e um êxodo espectacular.

Qual a trilogia da educação nacional nos dias de hoje?

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