Os dias são longos, mas os anos voam

Este texto foi originalmente publicado em inglês no The Art of Simple, da Tsh Oxenreider. Eis a tradução livre:

Querida tu mesma daqui a 20 anos.

Por esta altura é provável que tenhas o ninho vazio. É também provável que tenhas muito menos roupa para lavar e que de vez em quando ainda cozinhes demasiada comida, como dizia a minha mãe que aconteceu quando o meu irmão e eu saímos de casa. Talvez consigas mesmo despachar a roupa e a loiça no mesmo dia (algo que nunca mais aconteceu desde que sou mãe, por isso estou só a supor)!

Queria apenas deixar-te uma pequena nota acerca dos dias em que os teus miúdos eram pequenos – os dias que estou a viver neste momento em que te escrevo – e perguntar-te se realmente te lembras.

Dá o teu melhor para não colocares os teus óculos cor-de-rosa quando te recordas do largar das fraldas, das noites em claro ou das tardes em que ensinavas o alfabeto.

Essas pérolas valem o seu peso em ouro, sem dúvida, mas não te martirizes por não os teres reconhecido como os melhores anos da educação dos teus filhos quando estavas plenamente mergulhada neles. Foram dias longos, cansativos e árduos, e às vezes um bocado monótonos.

Os miúdos estão agora numa fase fantástica e eu (tu? nós?) estou a curtir esta fase ainda mais do que a dos bebés. Eles dizem continuamente as coisas mais divertidas, estapafúrdias e inocentes!

Vou presumir que já as esqueceste, como acontece agora comigo duas horas depois de as ter ouvido. Mas esses momentos existem e iluminam o meu dia.
Isso e os miminhos.

Ai, os miminhos… Provavelmente já não te dão tantos miminhos agora. Mas eles enchem o coração.
É incrível como duas pessoas podem ficar tão felizes apenas por estarem sentadas ao lado uma da outra a dar abraços.

Criar crianças é tramado, e tu fizeste um trabalho bestial.

Mas por favor lembra-te,

ao veres as jovens mães no café, que parecem ignorar os filhos, ao tentar terminar as suas frases;

ou a mãe a embalar, balançar e acalmar o seu bebé, que grita a plenos pulmões no avião;

ou os pais a aproveitarem os 5 minutos de descanso, quando os filhos estão no parque infantil, para ver o seu telefone (nem sei o que será daqui por 20 anos… hologramas?!);

ou aquela que parece tão estupidamente cansada, que bem merecia um banho de imersão e uma ida ao cabeleireiro…

que esta coisa de educar crianças é verdadeiramente extenuante – sim, cheia de significado e recompensas – mas muito duro e extenuante.

E que dizer “Ah, aproveita bem enquanto eles são pequenos, passa tudo tão depressa…” pode ser verdade mas nem sempre adianta muito.
Mas em contrapartida a frase “É só para te dizer que estás a fazer um óptimo trabalho” pode fazer maravilhas a um pai ou mãe estoirado.

E que podes fazer a diferença na vida daquela jovem mãe, oferecendo-te para tomar conta dos seus filhos durante um par de horas enquanto ela põe a conversa em dia com as amigas, ou oferecendo uma nota de encorajamento escondida num vale para ela gozar sozinha.

E, se for o caso, liga aos teus filhos e oferece-te para ficares com os teus netos durante todo o fim-de-semana, para eles poderem fazer o programa que bem entenderem.

Ah, e tu também estás a fazer um óptimo trabalho. Força aí!

Xi-coração,
O teu eu de há uns anos

Ilustração de Jess Pauwels

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