Aprendizagens e desafios de final de ano

Ena, apercebo-me que não escrevia há semanas…

Não sei como é a vida das outras famílias, mas este trimestre foi em aceleração e espalhafato.
Incluiu mesmo muuuito stress que acabou por desembocar em mais de um mês inteiro de problemas gástricos (todos em casa), incluindo um mês a comer arroz branco por causa das náuseas que se trataram com omeprazol; máquina da roupa inexistente durante 15 dias (fantástico quando se tem a roupa toda cagada suja a vir em sacos de plástico da creche dia sim dia sim); uma contractura no ombro bastante incapacitante durante 2 semanas e o gradual e inexorável definhar – e consequente morte – de um animal doméstico.
Ufa. Foi duro. Mas não é uma estreia de merdas chatices em catadupa. Aliás, já tinha referido que as chatices vêm aos cachos, mas mudei para as pipocas no micro-ondas, é uma metáfora mais gráfica e realista.

Adiante.

As coisas vão melhor, já temos máquina de lavar roupa, já não temos animal de estimação, estou uma elegância (e a enjoar cada vez que saio do virtuoso percurso da comida saudável, o que permite manter o peso, yeah) e a vida vai reentrando nos eixos, com as viroses lá longe (lagarto, lagarto, lagarto).
Há quem não goste de partilhar o lado merdoso menos sorridente da sua vida, pois eu tenho menos pruridos, se vos fizer rir ou sentir-se acompanhados, tanto melhor – não estão sós.

Mas não queria, ao fim de uma data de semanas, vir para aqui apenas queixar-me, queria antes partilhar umas reflexões e uma espécie de balanço, o de 2017!

Começo por esta imagem que tinha partilhado há uns tempos no Facebook do Mãegazine e que taaanto preciso de integrar na minha vida! Veio-me à memória quando, como é habitual ao jantar, está tudo aos berros e às birras (vá, sintam-se melhor). Decido pôr os meus tampões dos ouvidos, porque estou cada vez mais convencida de que esta overdose sensorial é o factor nº1 de stress ao final do dia e cortar o som (melhor do que enxotar os putos ou desaparecer da divisão da casa) (ou da casa inteira mesmo) faz milagres.

E comentei com o meu homem que, depois de um dia inteiro de trabalho, levar e ir buscar putos, cozinhar e tentar que todos se sentem à mesa e levar com doses maciças de:

1. paladar (tentar comer o jantar, certo?),

2. tacto (putos agarrados a mim ou a tocar na perna/cara/mão/costas/etc),

3. visão (putos a levantar e sentar/saltar/sair/entrar/deitar comida ao chão/etc),

4. audição (nível de decibéis a roçar a loucura, especialmente de uma das crianças que nasceu com um megafone integrado)

5. olfacto (sim, às vezes inclui justamente o que estão a pensar e leva-me aos píncaros da loucura)

a coisa só podia resultar mal.

Temos demasiado stress nas nossas vidas. Ponto.
Mas como não dá para retirar nenhuma das coisas da equação (largar trabalho/largar escola/largar carro/largar refeições/largar crianças) (antes que se ponham a argumentar digo apenas que cada um sabe da sua vida e do que pode abdicar ou não, proselitismos não, sff) (grata pela compreensão), só dá para retirar o que me estraga o descanso. E que é (adivinhem adivinhem) – tchanan! estar demasiado tempo online!

O deixa só fazer um refresh na aplicação e ver a história ou a foto ou quantos gostaram ou o vídeo tão fixe ai e a notícia escabrosa e o artigo partilhado e… alto!

E o meu descanso? E o meu apaziguar interno? E a minha paz interior, para acalmar aquilo que sabemos muito bem que está lá mas tentamos calar com distracções digitais ou idas às compras que sabemos de antemão que não adiantam de muito, o afago no ego é volátil mas o saldo negativo já não?

Quando dei por mim a fritar, passei 3 dias num retiro de mais ou menos silêncio. Vim numa paz e calma que nunca imaginei ser possível, pelo menos em mim, pilha de stress que sou.
Entretanto nem uma semana durou, foi o mês das chatices atrás descritas. Mas ficou-me a plena noção de que 1. este espaço interior existe, 2. é possível aceder a ele, 3. exige trabalho, muita dedicação para manutenção, mas o que se ganha não tem preço.

Uma das coisas que ouvi, e que vos deixo como reflexão, foi:

As minhas distracções ajudam-me a ser a pessoa que sou? Ou afastam-me?

Cada um tem a sua própria experiência individual, mas todos os anos, no final do ano, faço o meu balanço, preenchendo estas respostas (em inglês). E, como é hábito, o meu biggest time waster é o tempo passado nas redes sociais (que trouxeram imensas vantagens, não estou a diabolizar, atenção!). A imagem acima reproduzida explica o porquê do lado nefasto destas redes… e como isso, no meu caso, me afasta da pessoa que sou (foi uma revelação saber que podia ser calma e soube demasiado bem para abdicar da sua conquista).

 

O final de ano está aí, a fase de bebé, infância e mesmo adolescência passam demasiado rápido, assim como a nossa vida – e vejam isto para se lembrarem (é de ir às lágrimas) (não digam que não avisei). Um pequeno balanço e uma aposta no que nos aproxima de nós mesmos (ainda que em potência) penso que são bons conselhos.

Se precisarem de mais ideias tenho aqui uma selecção de artigos mais antigos, que penso que continuam igualmente válidos e actuais.

 

Pela minha parte, vou vislumbrando o caminho que quero seguir – e que inclui tampões nos ouvidos.

Estou deste lado se quiserem partilhar os vossos.

 

Feliz Natal e um 2018 com muita saúde… e paz

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