3 anos de Mãegazine

Há dias renovei o domínio e pensei em como a regularidade e os conteúdos aqui publicados mudaram. Mudaram tanto quanto eu.

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Dei por mim, há dias, a pensar que há alturas na vida em que uma determinada coisa, situação, interesse, enfoque, etc, faz tanto mas tanto sentido. E aquilo somos nós, a nossa paixão, o nosso interesse.

E passados uns tempos, vemos que estamos noutra determinada coisa, situação, interesse, enfoque, etc. E também somos nós, mas outra perspectiva nossa.
Era mais ou menos eu antes?
Sou mais ou menos eu agora?


Penso por vezes no papel deste site. Comecei a escrever em blogues desde 2009, no Melro Azul. Em 2015 comecei aqui. Nestes 9 anos há muitos, mas mesmo muitos blogues que surgiram – e vingaram.
Mas a internet foi mudando, da velocidade da ligação ao tipo de acesso, cada vez mais nos telefones. Tudo isso mudou muito e muito depressa.
Não tendo apanhado a carruagem da ‘profissionalização’, faz sentido pensar nisso? Escrever de forma regular, com todas as vantagens que isso traz? Traz alguma mais valia para quem por aqui passa? Ou não há paciência e só se querem coisas para consumo/leitura rápida?


Se as hormonas me fizeram ficar completamente focada na maternidade e em formas de (tentar) ultrapassar as dificuldades de gestão de 2 pequenos mais um recém nascido (e consequentes 18 meses de privação de sono) – procurando desesperadamente soluções e consolações – sinto estar hoje noutro patamar. Sem dúvida que a precisar, como antes, de soluções e consolações, mas mais com a mão na massa, por assim dizer. Essa realidade real faz-me, fez-me ficar afastada da realidade virtual, ao que ao blogue diz respeito, pelo menos.

Curiosamente senti-me completamente no mesmo comprimento de onda da minha mentora Tsh Oxenreider, quando afirmou estar noutra e já não sentir aquela vontade/necessidade de escrever no blogue, em parte por sentir que já tinha esgotado o tema da simplificação/declutter/downsizing. Como eu a percebo.

Durante anos estava completamente absorta por essa temática, acho que por ser tão rara de encontrar. Os meus anseios e preocupações encontravam a resposta feita à minha medida no Simple Mom/posteriormente The Art of Simple.

Uns 8 anos volvidos, francamente não tenho muito mais interesse em explorar esses assuntos por estes lados. Cada vez mais penso que cada um sabe de si e do que se adapta à sua vida. Os valores que defendo são os mesmos – sustentabilidade, qualidade em detrimento da quantidade, responsabilidade ecológica e social – mas cada vez mais penso que não há um modelo que sirva a todos, porque todos somos diferentes. Mesmo nós mudamos e ficamos diferentes, quanto mais!


Isto leva-me a outra consideração – quão difícil e essencial é conhecermo-nos e aceitarmo-nos.

Penso nisso muitas vezes, quando a desfilar imagens (no Instagram) me deparo com estilos de vida fabulosos. Eu sei, eu sei, são boa parte ficcionados e encenados para a foto, com uma boa curadoria e edição de imagem,  o mesmo filtro e o diabo a sete. Mas fico com a sensação de que têm todos uma vida muito melhor que a minha. Mães mais magras, giras, estilosas, cabelos fabulosos, férias inacreditáveis, relações perfeitas, filhos sempre calmos e por aí fora.

Quanto a nós, nunca somos o suficiente. I can’t get no satisfaction 😉
O que temos não é suficiente (ou o que já não temos, depois do declutter que fizemos entretanto, ah ah).
Não sou suficientemente elegante, descontraída, inteligente, perspicaz, ambiciosa, empática, competente, focada, relaxada, divertida, leve, amorosa, carinhosa, boa mãe. Sinto-me sempre aquém do que deveria ser, das bitolas do verdadeiro sucesso.

Mas afinal quem é que define o sucesso? O que é o sucesso ou realização para mim?

Onde está a minha liberdade? Porque tento sempre medir-me numa escala irrealista e utópica?

Porque é MUITO difícil manter a cabeça fria numa sociedade virada para o consumo, de produtos ou de estilos de vida, definidos pelos consumos que faço.

Estas reflexões encontraram a (quase) perfeita resposta num fabuloso artigo de uma bloguista que já aqui tinha referido, a propósito dos mitos que fazem de nós mães miseráveis.

O novo artigo é porque é que a frustração está tão associada à maternidade nos tempos actuais?

A autora, que trabalha com mães, diz que frustração é a palavra que define o mínimo denominador comum a TODAS as mães com quem lida, seja qual for o estrato social, económico, académico, etnia, idade. Todas se queixam de se sentir frustradas como mães.

Isto faz-me pensar naquela imagem fantástica do que se espera da maternidade nesta 2ª década do séc XXI:

E, para explicar a origem da frustração, não só enumera umas 33 (sim, trinta e três) razões, como pede sugestões para mais na caixa de comentários. E há mais!
Francamente leiam que vale a pena. Ela tem uma abordagem meio alternativa (encontros da lua e essas coisas…) mas é espectacular nas inúmeras pistas que aqui levanta.

E, francamente, se é para ler blogues de mães, que seja assim, uma reflexão daquelas. Quem dera ser capaz do mesmo ^_^

Por agora fico por aqui.

 

 

 

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