Às vezes é mesmo “piece of cake” (com receita)

Há uns tempos li um artigo giro (virei a net ao avesso e não encontrei) que dizia que quando não encontramos as palavras certas para dizer a alguém, podíamos tornar a coisa verdadeiramente simplespiece of cake oferecendo um bolo de chocolate. Acho que era a propósito de uma dramática história de uma pessoa cuja amiga (que escrevia o post) não sabia o que havia de lhe dizer. Então pura e simplesmente foi ter com ela (a da história dramática) e ofereceu-lhe o melhor bolo de chocolate que sabia cozinhar, decadente de bom.

Achei extraordinário.
Realmente o amor é acção e não apenas palavras. Quando não conseguimos ser empáticos, por não saber o que a outra pessoa sente ou não saber lidar com isso, uma coisa assim mais terra a terra funciona bem. E um bolo de chocolate é sempre bom.

Apliquei esta solução quando as irmãs que vivem na porta em face da minha perderam o pai. Fiz a versão grande da receita, 2/3 para elas, 1/3 cá para casa (não podia não o fazer), comprei um cartão bonito, assinámos todos e deixámos tudo à porta de casa. Acho que gostaram 🙂

Lembrei-me disto porque em Portugal o ano lectivo acabou há poucas semanas (por isso as dicas para boicotar as reuniões de pais vieram um bocado tarde…), mas o pré escolar vai até ao final deste mês.

O meu mais crescido vai dar o salto para a primária e dizer adeus às suas educadoras. E hoje, ao regressar a casa, disse que lhes queria oferecer um bolo de chocolate.

Puxei pela conversa e percebi que queria oferecer algo que manifestasse o seu amor e apreço. Perguntei se não queria fazer outra coisa, que perdurasse, mas não, era o bolo.
Então fiz a receita (2/3 para elas, 1/3 cá para casa), com um coração desenhado com passas (ficaram um bocado carbonizadas, mas enfim…).

E sim, fez também um desenho, um para cada educadora, e é o que ilustra o texto de hoje. Vai oferecê-lo a cada uma com as suas letras maiúsculas e desajeitadas a dizer que gosta muito delas, depois do desenho ser devidamente plastificado.

Creio já aqui ter escrito que vou uma nabiça da cozinha. Cada um é para o que é e a cozinha não é o meu forte, apesar de estar bem melhor desde que tenho um robô bestial. E foi no livro de receitas do mesmo que encontrei esta, que fui acertando e corrigindo até à sua fórmula final. É o melhor bolo de chocolate cá de casa (e que eu saiba fazer). A versão grande dá para uma dúzia de pessoas:

  • 400 gr de chocolate de culinária (2 tabletes – uso com 70% cacau, ou 52% no mínimo)
  • 200 gr de manteiga (com sal e tudo!)
  • 6 ovos
  • 12 gr de levedura química
  • 100 gr de açúcar amarelo (é mesmo pouco açúcar, mas a tablete já tem e prefiro pouco doce. 180gr é mais normal)
  • 150 gr de farinha branca sem fermento*

Pré aquecer o forno a 180º.
Derreter o chocolate e a manteiga (em banho maria, no microondas sem deixar queimar ou no robô 15 minutos a 45º).
Juntar os restantes ingredientes e bater tudo bem.
Forrar a forma (ou as formas, dependendo da altura e comprimento das mesmas!) com papel de ir ao forno, deitar lá a mistura e deixar cozer entre 20 (para ficar mais fondant) ou 30 minutos (máx.). 

*a versão original da receita é com frutos secos, 150 gr de pó de amêndoa ou de avelã para 3 ovos, neste caso seriam 300 gr. Fica delicioso e não tem glúten, mas é um bocado pesadão

Amanhã lá vai o bolo para a escola. Aposto que as marabuntas o vão comer todo e deixarão apenas uma fatia às educadoras. Mas o mimo e o desenho ficam. E foi piece of cake.

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