O que fazer aos trabalhos artísticos dos filhos?

No final do ano lectivo (Junho/Julho aqui em Portugal) lá chegam as grandes pastas cheias de desenhos. Rabiscos mais ou menos interessantes, que testemunham a aquisição de motricidade fina dos nossos rebentos.

As pastas são feitas de grandes folhas coladas com fita cola, têm uma fotocópia a cores com um sorriso mais ou menos aberto do nosso filho para a identificar e dezenas de desenhos entre o A4 e o A3 (e maiores ainda) lá dentro. Isto quando não trazem também coisinhas feitas com feijões, barro e um sem número de materiais.

É desta forma que a criançada aprende as texturas, as cores, o pegar no lápis, etc por aí fora. Tudo bem documentado – e nós temos a confirmação da boa aposta que fizemos naquela pré-escola.

Quando temos um filho (e muito espaço livre em casa), até dou de barato que podemos guardar tudo. Mas quando o número de filhos aumenta, ou o espaço diminui, o que fazer com tanta tralha obra artística?

Estou neste momento a braços com este dilema – o que deito fora e o que dou de comer aos bichos da prata guardo ?

Como este não é propriamente um problema exclusivo meu, outros já passaram pelo mesmo e escreveram sobre o assunto. Vou por isso traduzir e adaptar o artigo que a Tsh Oxenreider do The Art of Simple escreveu em 2009. Eis as sugestões que ela dá:

Oferece uma parte aos avós

Os avós adoram as coisas feitas à mão pelos netos. Que tal criar um livro com obras de arte dos miúdos para poderem mostrar aos seus amigos ou colegas de trabalho? Sabemos que os avós deliram falar dos seus netos e assim têm uma forma tangível de o fazer.

Usa-o como papel de embrulho ou como cartões

Se a cada 6 semanas estás numa festa de aniversário (as crianças têm uma vida social intensíssima!), poupas dinheiro e desfazes-te dos desenhos se os usares como papel de embrulho, que é também parte do presente! Tens ainda o bónus de encher o teu filho de orgulho por ter sido ele a desenhar 🙂

Emoldura as melhores obras e vai alternando as obras expostas

Designa alguns espaços especificamente para as obras deles, com molduras próprias para o efeito espalhadas pela casa. Pede às crianças para escolherem os seus favoritos e exporem-nos no seu quarto ou espaço de brincadeira. Escolhe tu também algumas das melhores obras e de tempos a tempos vai mudando os desenhos expostos.

Mantém a desarrumação controlada com um quadro específico para o efeito

Se ainda assim tens montes de desenhos de que gostam, experimenta arranjar um quadro (de cortiça, por ex.) que serve unicamente para aí afixarem as obras de arte, tantas quantas quiserem. É da maneira que consegues evitar que se espalhem pela casa toda – ficam todas concentradas nesse quadro.

Guarda as obras numa caixa própria para esse efeito

Muitas vezes o problema não é afixar ou expor as obras, mas sim guardá-las. Queres guardar os seus desenhos para quando os miúdos crescerem (e também para fazeres uma nostálgica viagem ao passado daqui por uns anos). Isso é compreensível e razoável – em teoria. O problema surge quando queres guardar cada coisinha que eles fizeram.

Isso é pura e simplesmente impossível. Ou tens espaço infindo ou vais perder a cabeça a tentar organizar e catalogar as coisas de forma a que seja agradável vê-las. Quando guardas tudo estás a diminuir o valor das obras de arte de que realmente gostas (leste o manifesto frugalista? fala exactamente disto!). A colecção fica assim desvalorizada.

Qual a solução? Arranja uma grande caixa feita em material não ácido onde guardas os desenhos de cada criança. Escreve cá fora o que cada uma contém e não te esqueças de assentar o nome, data e idade de cada criança no verso dos desenhos (achas que vais lembrar-te, mas esquece lá). No final de cada ano faz uma triagem, guarda os que preferes para a posteridade e deita fora o restante. Sem culpas.

Tira fotografias digitais

Se depois destas sugestões todas, ainda te enches de culpa ao desfazer-te das suas obras de arte, aproveita o facto de estarmos na era digital e tira fotografias antes de lhes dizeres adeus. Está bem, ainda é tralha, mas pelo menos não ocupa o espaço físico. Guarda num DVD ou pen ou nuvem, para poderes vê-las mais tarde num suporte digital.

Deita fora e ensina às crianças a importância do desapego

Vamos pôr as coisas como elas são: boa parte dos projectos artísticos das crianças valem pelo processo e não pelo resultado. Não faz mal desfazermo-nos de boa parte dos seus trabalhos. Aliás, da maior parte dos seus trabalhos. Quando guardas apenas aqueles que gostas mesmo, estás a aumentar o seu valor. Quando envolves os teus filhos e os implicas na decisão de guardar ou deixar ir estás a ensinar-lhes a dar um lugar de destaque e de honra ao que gostam e de que não é propriamente grande coisa acumular imenso. Se os queres ensinar a não terem uma vida de acumulação de tralha, começa já por ensiná-los a viver com determinados limites.

Também te vês a braços com estes dilemas? Qual a solução que encontraste?


 Aqui no Mãegazine interessa-me abordar uma vida simples e significativa. Se o assunto te interessa podes ler o manifesto frugalista atrás citado e seguir o site através do Facebook ou por mail 🙂

ilustração de Christine Schneider

Anúncios

Um comentário sobre “O que fazer aos trabalhos artísticos dos filhos?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s