Fevereiro | tradições e celebrações

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Chegámos a Fevereiro.

Fevereiro não tem o ímpeto dos inícios, como Janeiro, nem a promessa da renovação de Março, com o Equinócio da Primavera.

Fevereiro é o mais curto dos meses e aquele em que já deitámos a toalha ao chão das nossas boas intenções para o Ano Novo (ou para lá caminhamos): fazer exercício de forma regular, comermos de forma mais saudável, encontrarmo-nos mais regularmente com aqueles de quem gostamos, estarmos menos stressados e mais presentes para os nossos, etc.

Depois da loucura das festas e do longo mês de Janeiro em que recuperamos do caos que o precedeu, chegamos a Fevereiro. Estamos em pleno Inverno, com as longas noites e os dias ainda curtos e que esperamos que passem depressa. Muito provavelmente é um mês sem nada de relevante, mas não tem de ser assim.

Curiosamente o ano litúrgico tem duas festas neste pequeno mês. Uma é rigorosamente a meio –  dia 14, dia de São Valentim. O outro costuma ser em Fevereiro, mas nem sempre – o Entrudo, ou terça-feira de Carnaval.

São Valentim evoca o amor, verdadeiro motor da vida. Apesar de habitualmente associarmos a data ao amor romântico, Eros em grego, podemos muito bem alargar a celebração ao amor altruísta (Ágape) ou à amizade (Philos).

O Entrudo vem do latim introitus e significa entrada ou começo. Refere-se à entrada no período quaresmal e representa um novo ciclo, um ciclo de frugalidade e introspecção. O Entrudo são os três dias de fausto e folia em que as pessoas têm carta branca para manifestar os seus impulsos dionisíacos através dos símbolos que são as máscaras e os disfarces.

Não é preciso acreditar seja no que for para se tirar partido destas datas como desafios. São pontos de partida como qualquer outro, com a vantagem de se inscreverem numa cultura que é a nossa.

Como incorporar estas celebrações e ideias na nossa já tão confusa, complexa e caótica vida? Acrescentar ainda MAIS coisas para complicar os nossos dias? Naaa…

ah bolas

Ora a ideia é fazer precisamente o contrárioreduzir o ruído de forma a termos mais capacidade de concentração. E para reduzir o ruído é essencial desligar o botão da aparelhagem metafórica.

Fevereiro tem muitas vantagens para essa redução do ruído: tem 28 dias e por isso tem 4 semanas certas, o que é fantástico para a nossa inata vontade de fazer coincidir as boas intenções com as datas redondas; está suficientemente perto do início do ano para sentirmos que ainda vale a pena fazer um esforço de mudança; o tempo convida a estarmos em casa, no calor, o que nos dá uma maior disponibilidade física e mental. Afinal de contas é durante o Inverno que as sementes germinam no interior da terra, para poderem florescer com a chegada da Primavera!
leaozinho maegazine

Entrudo

A vida urbana afasta-nos dos ciclos naturais, mas eles estão aí – depois dos dias curtos o sol fica mais tempo a brilhar e o solo é mais generoso na sua produção. Mas para lá chegarmos há que fazer a travessia invernal.

A tradição cristã aliou-se aos ritmos sazonais e rituais pagãos e a Páscoa coincide com o 1º domingo depois da lua cheia depois do Equinócio da Primavera. Para a longa travessia invernal há a Quaresma. E antes da Quaresma há o Entrudo, em que se queimam todos os cartuchos numa grande festa simbólica e gastronómica.

E se tomássemos como ponto de partida esta travessia para reflectirmos no modo como vivemos a nossa vida? É certo que o Outono e o balanço do final do ano propiciam esta reflexão, mas em Fevereiro há um novo fervilhar – a Primavera está ao virar do mês!

Para sabermos em que ponto estamos, o que deixámos para trás e – sobretudo – o que queremos fazer com o tempo que nos resta, há que aumentar a nossa capacidade de escuta. Mas a audição é um sentido que rápida e literalmente fica saturado – basta usarmos tampões para os ouvidos em situações barulhentas (como miúdos em casa aos berros) para nos apercebermos quão bem nos faz descansar os ouvidos!

No entanto o ruído mais clamoroso nos dias que correm é a nossa ligação constante aos ecrãs e redes sociais. O crescimento exponencial de telefones “espertos” e a facilidade de acesso à internet veio revolucionar a forma como nos relacionamos e o equilíbrio entre o estarmos presentes fisicamente e estarmos ligados virtualmente é difícil de alcançar.

Por isso a mais básica e imediata das formas de redução do ruído é fazermos uma dieta de internet (ui). Desligar o wi-fi/3G do telefone e não irmos a correr para o computador nos momentos vagos (e que acabam por se prolongar indefinidamente). Não tem de ser uma purga radical, uma ou duas noites é já um bom começo.

Reduzindo o ruído digital, ficamos mais atentos a outras formas de ruído, que podemos igualmente começar a recusar – excesso de informação mediática, excesso de coisas que consumimos, excesso de actividades.

Reduzindo o ruído podemos pensar com maior clareza o que queremos manter e o que gostaríamos de mudar na nossa vida. Há quem defenda que escrever um manifesto que sintetiza os nossos valores ajuda nesse processo, já que em cada decisão que tomamos podemos conferir se está ou não alinhada com os nossos valores.

Na 3ª feira de Carnaval podemos instituir um pequeno ritual – escrever num papel tudo aquilo que queremos deixar para trás na nossa vida e destruí-lo no final do dia, depois de uma faustosa e reconfortante refeição. E assumir, porque não por escrito, o compromisso da redução da distracção digital para termos mais disponibilidade para as nossas relações afectivas, que no fundo no fundo são a única coisa que interessa.

mae maegazine

São Valentim

Diz a minha mãe que todos sabemos bem como chegar ao coração do outro, seja esse outro a pessoa com que partilhamos a vida, os nossos pais, filhos, familiares ou amigos.

Um autor norte-americano, Gary Chapman, fala de 5 linguagens do amor, ou as 5 formas como o amor pode ser manifestado: 1.receber presentes, 2.tempo de qualidade, 3.palavras de afirmação, 4.toque físico e 5.actos de serviço. O autor defende que saber qual a principal linguagem de amor do outro permite desfazer mal entendidos e manifestarmos mais eficazmente o nosso amor por ele.

Uma ou outra ideia partem do pressuposto de uma disponibilidade emocional para o outro, uma abertura de coração que queremos intencionalmente comunicar.

Na(s) noite(s) sem ecrãs da primeira semana de Fevereiro, podemos pensar e tomar nota das pessoas a quem queremos dizer que gostamos delas, que são importantes para nós. Mesmo que nos pareça uma evidência, é muito bom dizê-lo ou manifestá-lo, já que somos todos criaturas inseguras e o amor sabe sempre bem. Cônjuge, filhos, amigos – não temos de ser picuinhas com quem escolhemos, tampouco exaustivos 😉

Na segunda semana preparamos o plano de acção e colocamo-lo em prática no dia 14. Pode ser tão simples como enviar sms ou uma deixar uma nota em papel na carteira ou mochila; ou pode ser mais complexo e implicar quem tome conta de uma criança para se ir jantar fora. O aspecto comercial da data é amplamente explorado e por isso ideias onerosas não faltam, mas importa não perder de vista a ideia da celebração – dizer ao outro que gostamos dele e é importante na nossa vida.

Tão simples quanto isso.

melro

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