Coisas giras

Há tanto artigo interessante ou curioso por aí, que cá vão mais umas sugestões:

escola Gonçalo Viana

  • Já se sabe que o Mãedamento nº1 é cuidarmos de nós em primeiro lugar. Isso implica cuidarmos não apenas do lado físico, mas também da cabeça e coração. Ora o The Art of Simple tem um artigo que fala bem disto de se ‘amputar’ uma metade nossa, que tem de crescer de novo, para a nossa própria sanidade! How is your other half? é o tal artigo
  • Já aqui tinha referido este livro, que vou lendo alternadamente com outros – Simplicity parenting. Uma bloguista norte americana escreveu um artigo no Huffington Post onde basicamente explica os principais conteúdos (dos primeiros capítulos). Está tudo aqui  – Simplifying childhood may protect against mental health issues
  • A Bruna Gomes apresenta uma perspectiva gira do conto do Patinho Feio (dos que menos gosto justamente por achar que a mãe é péssima!). Aqui está condensada a ideia do livro Mulheres que correm com os lobos, de Clarissa Pinkola Estés, em que são apresentadas vários tipos de mães: Brincando por aí.
  • Cada vez sinto mais que sou da velha guarda, o que quer que isso queira dizer. Por isso confesso ficar um bocado de pé atrás quando vejo alguém defender (o questionamento, mas numa perspectiva da abolição) a letra de imprensa, por oposição à ‘letra de escola’. O argumento é que nada publicado (física ou virtualmente) a usa. Caramba, a escrita desenvolve a motricidade fina. A letra é um traço de individualidade e há quem diga que reflecte a nossa personalidade. Só desenvolvemos a nossa letra se partirmos da letra de escola, com as letras ligadas entre si. É então melhor termos todos uma letra de imprensa, uniformizada, só porque a lemos mais? O artigo está aqui – Questione o óbvio, blogue Com Regras
  • O tal artigo fala da caligrafia como exemplo do ensino obsoleto e repetitivo, sem pensamento por trás, que mimetiza procedimentos que remontam a épocas diferentes, sem os desafios actuais. Um outro artigo (grande sucesso na página de Facebook!) aborda esta problemática da resposta que as escolas dão aos desafios contemporâneos. Houve, ao que parece, um crescimento exponencial de ensino doméstico (homeschooling ou unschooling), retirando crianças do ensino regular e ensinando em casa, com outros ritmos e abordagens. Pessoalmente percebo, partilho muitas das angústias e posições dos pais – e partilho-as aqui! – mas daí a retirar os miúdos… vai um passo que não dou. Um argumento em particular arrasou comigo: “Não vejo na escola conhecimento a ser realmente útil. Desconfio que chegamos ao 5º ou 6º ano e não precisamos de mais nada da matemática. Obviamente, há profissões que exigem mais matemática, mas aí isso chegaria na faculdade.” Oi?! Desconfio que esta é uma frase aflitivamente ignorante e que quem a pronunciou não concebe que a matemática possa ser uma espécie de ginástica do cérebro e do pensamento abstracto, que se não for exercitado, não pode ser apenas ensinado na universidade. Já para não falar do alcance deste argumento, se extensível a outras matérias. Minudências, certamente… Viver e aprender sem ir à escola.
  • Há realidades que nos ultrapassam e que estão efectivamente ligadas ao útil, à terra, ao dia-a-dia, ao pensamento muito concreto. Mas essas pessoas enviam (pasme-se!) os seus filhos para a escola, em condições incríveis. Este vídeo publicado no Facebook é a lou-cu-ra!!! Quantos contam?

 

E assim estão concluídas as coisas giras deste fim de semana, porventura as mais polémicas até à data (devia ter chamado coisas giras para comprar guerras, ahahahah)
Divirtam-se e aproveitem bem o dia do Pai! 😉

ilustração de Gonçalo Viana

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3 comentários sobre “Coisas giras

  1. Fiquei decepcionada com esse artigo sobre o ensino doméstico. É um assunto que tem merecido o meu interesse e achei-o demasiado pobre por vários motivos. As pessoas entrevistadas e até as fotos (a tenda, a mulher a amamentar quando o assunto é a escola) dão aquela ideia de ser algo praticado por hippies revoltados com o sistema que acham que a matemática não serve para nada e que as pedras e pauzinhos do campo são suficientes. Penso que essa frase que colocas da entrevistada não pode reflectir o que realmente significa o ensino doméstico. Tal como tu, considero-a demasido ignorante.
    Depois temos o Mario Cordeiro e o Eduardo Sá que dão opiniões obre tudo e mais alguma coisa e pergunto-me até onde se debruçaram sobre o assunto. Enfim, aparecem em todos os temas e esse “domínio” chateia-me um bocado. Posto isto, deixo-te o link dum post que escrevi recentemente sobre as comunidades de aprendizagem http://mae-sabichona.blogspot.pt/2016/03/comunidades-de-aprendizagem.html
    🙂

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    1. Obrigada pela partilha!
      Francamente achei o artigo muito pobre e é o que dizes – “somos todos muito alternativos” e por aí fora. Quanto ao psi e ao pediatra (realmente parece que são os únicos e no circo mediático são-no certamente), estou globalmente de acordo com a sua postura, mas eu não sou de todo desta área. Fiquei com a impressão que eles teceram comentários sobre os casos que apresentam e não sobre o potencial da coisa.

      Uma coisa é o pré escolar e outra é a primária. Estou ainda a digerir muito e por isso não consegui articular um texto sobre isto – é demasiado complexo. Sobre o pré escolar, gostaria que a abordagem Montessori ou mesmo Waldorf fossem acessíveis e não com preços proibitivos – por isso gostei do tal projecto francês, aplicado ao ensino público. Quantas escolas têm demasiadas cores garridas, música (infantil) aos berros, ruído por todo o lado? Sabemos que é no pré escolar que se lançam certas bases de aprendizagem, graças ao desenvolvimento cognitivo único na vida…

      Depois vem a escola ‘a sério’, a indisciplina, a desmotivação, os TPC ou ausência deles, o grupo em que estão inseridos, a postura dos professores, a postura da escola, o bairro/localidade da escola… é um mundo.

      Tenho muito para dizer, tenho soluções que fui encontrando aqui e ali e sugeri na escola, mas o ministério é uma máquina muito grande e pesada, não é nada fácil mexer as coisas, mesmo quando há boa vontade…

      Nos EUA o homeschooling é uma realidade quase banal porque o ensino é péssimo em muitos locais e pode variar conforme a etnia… As pessoas não olham de lado nem acham que quem faz homeschooling são apenas os lunáticos. Há redes criadas com partilha de conteúdos, as pessoas partilham dicas de organização, etc.

      Francamente nunca seria uma opção para mim, mas concebo que seja algo que, quando bem aplicado, com método e cabeça, resulte bem. Agora se é para evitar birras e frustrações dos filhos, para se aproximar da vida quotidiana e se afastar do pensamento abstracto (como o artigo deu a entender, através da escolha de intervenientes), realmente é um retrocesso gigante.

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  2. Se tens muito para dizer, terei todo o gosto em ler 🙂 Também é algo que ainda me suscita muitas dúvidas e gosto de saber opiniões a favor e contra de forma a ter uma perspectiva mais alargada. Neste momento, o que acho é que pode ser uma boa solução, sobretudo quando o ensino regular não está a ir ao encontro de uma criança. Nestas coisas tenho a ideia que não é tanto uma questão de ser “melhor” ou “pior” mas de poder ser melhor ou pior tendo em conta aquela criança. E depois, havendo a possibilidade de se criar grupos de crianças no mesmo contexto, a coisa assemelha-se mais ao contexto escolar ainda que numa perspectiva mais familiar.
    O ensino doméstico poderá ser perigoso numa perspectiva de se tentar proteger a criança de tudo e mais alguma coisa mas suponho que isso seja mais uma atitude dos pais que se reflecte ao longo dos anos do que propriamente dessa opção. Quantas crianças já conheci completamente sufocadas pelo excesso de protecção e andam por aí nas nossas escolas públicas?

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