Tudo o que sempre quis(este) saber da Maria do 6+2

Vamos pôr as coisas como elas são: se houvesse um percentil para o grau de stress das mães, a Maria Cordoeiro estaria no percentil 5. Eu mais do lado dos 95… 😔  #fabiennelepicsaidomeucorpo

Como qualquer pessoa, fico fascinada com quem dá sinais de ser radicalmente diferente de mim, sobretudo se o seu comportamento se aproxima do ideal que tenho para mim mesma.

Penso que não estou só, a avaliar pelos mais de milhar e meio que seguem o seu blogue por email. A Maria Cordoeiro, nas pequenas crónicas familiares que escreve, evoca um mundo que muitos almejam – e eu em particular.

Este site, Mãegazine, foi criado no sentido de aqui registar o que encontro, reflicto e procuro, neste árduo percurso de se educar uma criança (no meio de uma vida cheia de afazeres). Os artigos que aqui publico, os livros que leio, procuram indicar-me (e a quem se queira juntar) um caminho, virtuoso se quiserem. É a estrada que gostava de seguir (e tanta dificuldade encontro…).

E depois há o blogue Seis mais Dois, onde está escrito “Um blog sobre tudo feito por alguém que não sabe nada”. Não se deixem enganar, que isto é conversa fiada 😉 . A Maria, verdadeira mater familias, com marido, 4 filhos e dois cães, parece não só dar conta do recado, como ainda curtir ao máximo as suas 24hx7.
Impossível? Não, nas suas palavras.

 

Vamos pôr as coisas como elas são: um blogue pessoal é um show, uma ficção. Por muito que parta da realidade, só escrevemos/relatamos/fotografamos as partes luminosas, deixando no offline as sombras, que existem em qualquer pessoa/casa/família/vida. Por isso é sempre um exercício ingrato compararmo-nos seja com quem for, porque nunca temos acesso ao filme completo. Sempre assim foi e sempre será. A própria autora fala disso.

A comparação é, por isso, um pau de dois gumes. É bom para vermos o que podemos melhorar mas é inevitavelmente um processo ingrato. Ainda assim pedi à Maria para responder a uma série de perguntas, a famosa entrevista que anunciei há uns largos meses.

 

No meu espírito analítico, identifico nas suas respostas um grande equilíbrio emocional. Equilíbrio que tem alguns pilares: horários laborais que permitem estarem todos em casa pelas 17h30; rotina ultra estável; apoio familiar (avós disponíveis); empregada doméstica; desporto como válvula de descompressão. Estes pilares fazem com que o casal, verdadeira equipa muito sólida e ambos a remar no mesmo sentido, consiga dar uma grande consistência à vida familiar, apostando forte nas relações afectivas – do casal, com os filhos, com os amigos, com a mesa como coração da casa, com refeições saudáveis e todos juntos. Isso tudo só é possível graças a uma enorme determinação (intencionalidade) e estar-se muito focado e concentrado. Ah pois.

Continuo a discordar com a Maria quando diz que o cansaço está sobrevalorizado. Compreendo os seus argumentos (mais abaixo), mas o facto de sabermos que outros vivem vidas incomparavelmente piores e mais duras (basta abrir o noticiário), não retira em nada o sofrimento, físico ou psíquico, que uma pessoa pode efectivamente sentir. Mais, essa comparação pode provocar sentimentos de culpa – que direito tenho eu de me sentir mal quando outros vivem na miséria, etc – que agravam o referido sofrimento. Como nem todos partem do mesmo equilíbrio emocional, não é fácil colocar-me na pele dos outros. Sou por isso mais cautelosa quanto ao cansaço.

Mas chega de introduções.

Senhoras e senhores, aqui está tudo o que sempre quis(eram) saber sobre a Maria do Seis mais Dois:

phoebe wahl 1

Consideras-te uma pessoa mais relaxada ou stressada? 

Sou exageradamente relaxada, tornando-se quase um defeito. 

No primeiro caso, isso é intrínseco ou fruto de um esforço deliberado ? 

É mesmo feitio, sempre fui assim. 

Como fazes para manter a calma numa casa que imagino caótica? Ou perdes facilmente a paciência?  

Não é uma casa muito caótica confesso, mas às vezes perco a paciência, dou uns gritos ou qualquer coisa do género.  Mas quando eles estão acordados não me passa pela cabeça, por exemplo, sentar-me no sofá porque já sei que algum deles me vai chamar ou vão bulhar ou chorar, por isso como já estou a contar com isso tudo é muito mais fácil. Viste um post que escrevi sobre o “caos calmo”? Acho que é isso na verdade. 

Tens alguma actividade que te ajude a recentrar (actividade espiritual ou física)? Por outras palavras, a corrida é o teu (único) escape ou tens outras válvulas de descompressão? Quais são? 

Os escapes são: a corrida, beber copos com amigos e a vida amorosa/conjugal/sexual. A minha actividade espiritual é pensar no universo, perceber como somos pequenos e grandes ao mesmo tempo e como tudo é tão relativo. Não sou religiosa mas todos os dias dou graças por tudo o que tenho. 

Como reages quando os miúdos estão ao rubro, aos berros ou a bater uns nos outros? 

Isso não acontece muitas vezes, felizmente… quando acontece zango-me claro. Tenho ajuda do Francisco para quando é preciso uma voz mais forte.

Como lidas com as inevitáveis rivalidades entre irmãos? 

Esta sim, o maior desafio de uma mãe. Vou lidando com cuidado, instinto e fazer tudo para que elas se atenuem. Também tento mentalizar-me que é normal e que isso os vai ajudar a quererem ser melhores. 

Algum dos teus miúdos é dos que podem ser considerados miúdos difíceis (“força da natureza”, personalidade vincada, muito sensível a estímulos externos, etc)? 

Força da natureza tenho vários. Miúdos difíceis não sei mas acho que vão alternando. Há sempre um que está mais difícil que outro, têm fases.

Para além de estarem todos, adultos e crianças, juntos em casa pelas 17:30 e de não teres (ou usares) computador em casa, que outras escolhas /opções ou ajudas /apoios tens (por ex. quem tome conta das crianças em vossa casa ou em casa própria, empregada doméstica, etc)? 

Repito que a principal ajuda é estarmos os dois em casa a essa hora, muito disponíveis. Mas quando precisamos de sair à noite ou temos um jantar ou concerto temos duas avós muito disponíveis. No dia a dia tenho também umas horas de uma empregada doméstica que me ajuda com a limpeza da casa e roupa.

Qual o grau de previsibilidade das vossas vidas? Por outras palavras, a vossa rotina é estável ou está sujeita a regulares e imprevistas alterações (como trabalho por turnos, trabalho nocturno ou ao fim de semana, ausências regulares para fora da cidade, etc) 

A nossa rotina é mega estável, sobretudo de segunda a quinta, tentamos nunca marcar nada para o final do dia e tudo é muito “arrumadinho”. A partir de sexta não queremos saber de horas, nem rotinas nem obrigações (embora tenhamos ao sábado a Cena e ao domingo a pizza…). Entre Junho e Setembro também ficamos menos “rotineiros” e se tivermos de ficar na rua até às tantas e jantar uma sanduíche ou ir a praia depois do trabalho, estamos nessa! 

Dizes que o cansaço é sobrevalorizado (não podia discordar mais!). Isso significa que precisas de poucas horas de sono (como o professor Marcelo, actual presidente 😉 )? Ou aguentas bem andar sempre na reserva, fazendo uma analogia com os carros? (falo por experiência, a falta de sono seguido há mais de três anos tem um forte impacto no meu sentido de humor…) 

Acho que o cansaço está sobrevalorizado porque com relativa facilidade temos pena de nós próprios e das vidas que levamos porque todos achamos que somos os mais ocupados e os mais cansados e os que temos a vida mais difícil. E nem sempre isso é verdade (há vidas muito difíceis: mulheres que moram longe, apanham vários transportes para chegar a horas a trabalhos duríssimos onde recebem um ordenado que mal dá para alimentar a família).
Eu durmo bem e preciso de dormir. Normalmente deito-me por volta da meia noite e acordo às 7.00 (a não ser que vá correr que acordo mais cedo) se uma noite faço uma noitada na noite seguinte se calhar as dez já estou a dormir… A Jasmim ainda acorda mas eu não a oiço – normalmente é o Francisco que vai lá e, ele sim, não precisa de muitas horas de sono.

A tua organização doméstica (menus semanais, dia sem carne, dia para cozinhar X ou Y, dia para pizza, dia para jantar com amigos, etc) é-te fácil de implementar ou é fruto de um esforço nesse sentido? Como aprendeste a organizar-te assim? Foi por ti ou vem de família? 

Não diria fruto de um esforço mas de uma vontade muito grande em fazer as coisas assim. O menu semanal é para mim umas das bases de um dia a dia mais bem aproveitado. Não há compras a meio da semana nem tenho de pensar o que é o jantar logo à noite. Poupo dinheiro, tempo e a cabeça. Já para não falar que temos uma alimentação mais diversificada e saudável. Em casa dos meus pais também era assim e o momento da refeição sempre foi muito importante. Seja qual fosse a fase da vida que estava a atravessar sempre jantámos todos à mesa. Havia sempre salada, sopa e fruta. Confesso que sempre foi muito “securizante” este momento e por isso faço igual lá em casa.

Queres partilhar as tuas dicas/sugestões para uma melhor gestão do tempo passado em casa? 

Não é muito fácil dar dicas porque sei bem que sou uma privilegiada, não só pelo facto de ter bons horários como por ter um marido que tem as mesmas ideias e vontade de fazer. As tarefas domésticas são totalmente partilhadas, somos sempre os dois, em tudo. 

Dica dica só mesmo manter a televisão desligada. Para as crianças e para os adultos. 

Numa frase, qual o “segredo” para o equilíbrio que demonstras? 

Não faço ideia. Amor? Vontade

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Obrigada, Maria, pela inspiração, exemplo e respostas 🙂
Daqui a uns tempos serei também uma master Jedi, por agora vou escrevendo artigos sobre como manusear o feixe de luz…

ps – apesar do blogue Seis mais Dois ser profusamente ilustrado por fotos, mantive-me fiel à minha linha editorial e optei por duas maravilhosas ilustrações da autoria de Phoebe Wahl, que não apenas evocam totalmente o ambiente de que a Maria trata no seu site, como podiam ter sido criadas com base nas suas descrições ❤

melro

Se forem uns desajeitados aprendizes como eu, proponho que se juntem ao clube 😉 Como escrevi acima, aqui vou partilhando umas coisas que nos ajudem nesse sentido… Podem acompanhar por mail, Facebook ou Pinterest. Até já!

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