B  A  BA do stress 

Sei, por experiência própria – por estudar, por ler, por analisar – que o stress é tramado. Para quem tem filhos, sobretudo pequenos, o stress pode ser mesmo brutal (e soltamos o animal facilmente). Escrevi sobre isso no artigo Vamos falar sobre o ‘burn out’ materno?

O stress é uma resposta biológica, primária, e serve para nos defendermos. Defendermos das ameaças externas, dos perigos.

Agora já não são as intempéries, a falta de comida para caçar ou colher ou as tribos rivais (ideias de quem não é antropóloga, ah ah), mas são a falta de estrutura familiar de apoio, as exigências laborais, o tempo passado no trânsito ou nos transportes, as inúmeras exigências da vida numa capital europeia, às quais se juntam as pequenas e acumulativas chatices de uma vida corriqueira e, last but not least, o desafio que é ter 3 miúdos com idades inferiores a 7, com carácter bem (bem) (mesmo bem) vincado…

O nosso cérebro responde de uma de 3 formas ao stress: ou atacamos, ou fugimos, ou congelamos.

No 3º caso ficamos sem resposta, o corpo perde a sensibilidade. A Dra Laura Markham chama-lhe fight, flight or freeze. Podem ver aqui uma outra explicação absolutamente excepcional, em francês, numa TED talk.

Talvez já vos tenha acontecido ficarem imunes aos gritos ou choros dos filhos. Assim uma espécie de blindagem emocional, não sentem nada (excepto que entre o Dexter da série e vocês há pouca ou nenhuma diferença) (esperando que não andem a matar gente em série…), não passa nada de nada. É bonito ler e tentar aplicar as técnicas de empatia, mas como, se há uma espécie de vazio emocional? Creio que essa é uma das respostas ao stress, o tal congelamento ou suspensão das nossas capacidades.

Acontece que quando suspendemos o amor, a empatia, etc (graças às espectaculares e altamente eficazes manobras da nossa prole que nos levam à quase loucura), estamos a criar naquelas pequenas cabeças uma nova situação de stress. Isso agrava-se ainda mais quando passamos à resposta do ataque (já que fugir está um bocado fora de questão…) e passamos a ver os nossos filhos como o inimigo a combater.
Estes processos são muitíssimo profundos e pouco passam pelo nosso consciente. O que nos vale é o córtex pré-frontal, a parte moderna do cérebro humano, onde se encontra a regulação das emoções.

O cérebro é plástico e por isso os comportamentos habituais formam verdadeiras auto-estradas sinápticas. Por outras palavras, temos uma bola de neve – quanto mais faço, mais rapidamente torno a fazer, de forma imediata. Quanto mais berro, mais torno a berrar. Quanto mais empática sou, mais compreensiva e empática consigo ser. Isto vale tanto para nós como para a prole. 

Como se consegue então reverter os efeitos, mais ou menos dramáticos, do stress?

Aqui é preciso entender a mecânica das hormonas. Quando estamos em stress, libertamos doses maciças de cortisol e de adrenalina, que provocam então uma das três reacções possíveis.maegazine stress

A forma mais eficaz de neutralizar essas hormonas do stress é combatendo com a hormona do amor, aquela que todas as mães sabem que existe, nem que mais não seja por levarem na veia na altura do parto para acelerar as contracções. É essa mesmo, a ocitocina. A mesma hormona que libertamos quando amamentamos, a tal amamentação que é posta em causa quando temos… demasiado stress!  Ocitocina que libertamos durante o sexo.

Mas não é preciso ir tão longe para a libertar quando mais precisamos dela 😉

Aplicado na prática, libertamos ocitocina no nosso organismo e no dos nossos filhos quando lhes damos miminhos ou os olhamos e falamos de forma carinhosa. Quando damos um abraço. Quando pomos a mão no seu braço ou nas suas costas quando estamos a gerir um conflito de irmãos. Quando damos festinhas na cabeça para os adormecer.
A isto se chama a lógica do attachment em inglês, ou attachement em francês. Vínculo ou apego em português, estreitar de laços afectivos, ainda que não me recorde de uma palavra que descreva tal qual este conceito.

Sugiro que (em vez de pensarmos de forma genérica que devemos manter-nos calmos) da próxima vez que sentirmos um banho de cortisol e adrenalina experimentemos pensar nas alternativas viáveis para activar a ocitocina que pode reverter a situação. 

Não sei se para vocês ajuda. Para mim perceber esta mecânica simples fez um mundo de diferença é os resultados são… palpáveis 😊

melro

No Mãegazine fala-se destes assuntos assim, úteis para quem lida com as complexidades de educar a prole. Podem acompanhar por mail, subscrevendo, por Facebook ou Pinterest. Até já

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2 comentários sobre “B  A  BA do stress 

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