(outra vez) sobre balanços

Estou a repetir-me, bem sei, mas lá venho falar de balanços.

Há os clássicos, na passagem do ano (civil). Entre Dezembro e Janeiro há ali uma fase de fresh new start, página em branco que sabe muito bem. Falo disso aqui.

Depois há o novo ano lectivo, o arrumar as tralhas das férias e a rentrée – novo ano escolar, novo ciclo de trabalho, novo Outono e Inverno… Mais aqui.

E depois há os aniversários, nossos e da prole. Os nossos assinalam uma narrativa muito pessoal, o nosso próprio ciclo de 365 dias. O dos filhos marca a narrativa deles, em primeiro lugar, e a nossa logo a seguir.

Em três filhos passo pelas mesmas etapas mas com miúdos diferentes – é a 3ª vez que tenho um filho com x anos. As birras ou os acordares nocturnos ou o comer sozinho ou o largar as fraldas (de dia) (ou à noite) ou o calçar os sapatos ou… Já se percebeu a ideia. É incrível como filhos do mesmo casal têm fisionomias e carácter tão distinto, desde o 1º instante! As famílias ditas numerosas têm essa grande vantagem de saber, por experiência própria, que a boa disposição de um ou a generosidade de outro não é fruto da nossa boa ou má conduta como pais, mas é sobretudo fruto do que traz consigo, da sua personalidade e traços incrivelmente pessoais. Com uma ajudinha às vezes, vá, mas francamente pouca.

O filho, ou filha, da frente é o que desbrava caminho para os incipientes pais. O que leva mais coisas novas, de roupa a brinquedos a móveis e cadeiras auto, mas é também o que leva mais ansiedade e exigência por parte dos pais. Aprendemos com os erros e isto de se educar filhos são erros atrás de erros, mas sempre a errar melhor (espera-se)! 😉

Há anos em que os aniversários calham em fases conturbadas, com doenças ou excesso de trabalho, por isso o balanço é menos reflectido. Mas num momento de pausa, dá para pensar um bocadito. E aqui vai disto:

38-mgz

O que aprendi nos meus 38

Que em boa medida a nossa vida oscila sempre entre aceitação e ressentimento; revolta ou resignação. E que não podemos ficar presos num ou noutro, caso contrário a coisa corre muito mal

Que como já aqui tinha referido, e como canta o João Gilberto, “eu lhe asseguro, pode crer / que quando fala o coração / as vezes é melhor perder / do que ganhar, você vai ver”

Que é bom escolher guerras e é ainda melhor dormir sobre o assunto antes de se reagir a quente. E que ter família e amigos à séria que nos aconselham bem não tem valor ❤

Que a vida são dois dias, mas que duram bastante (esperamos) e que por isso não vale a pena precipitar: cada coisa tem o seu próprio tempo e ter estratégia dá jeito. Caramba, estou mesmo cota para me aperceber de que as coisas encaixam mesmo, olhando para trás. A minha mãe chama-lhe A vida tem sempre razão. Eu digo-lhe que isso é acreditar na Providência. Ela resmunga e diz que não. Eu acho que sim mas que ela não sabe e ficamos nisto.

Que a minha geração começa a estar em lugares de destaque – na política, no jornalismo, na ciência, na cultura, na tecnologia. Está a chegar à linha da frente na rotatividade dos lugares de peso na sociedade. Isso é estranho… mas estranhamente normal

Que a assumpção da idade adulta é curiosa e ao mesmo tempo dá uma sensação de confiança – empowerment, como dizem no estrangeiro

Que com essa assumpção deixei de me vestir como adolescente para me vestir como adulta, inspirada pelas diferentes categorias que criei aqui no Pinterest

Que entre o que desejamos e sonhamos fazer com a nossa vida (e estou a falar de coisas comezinhas, como tentar estar mais com amigos ou passar um fim de semana em casal, não estou a falar de coisas megalómanas!) e o que acontece realmente vai uma diferença abissal. E que essa distância se deve, sobretudo, à nossa inércia e falta de organização, porque empurramos com a barriga e… as coisas nunca acontecem. É preciso muita vontade para fazer acontecer!

Que o stress em demasia é o inimigo nº1 da harmonia familiar, porque tendemos a descarregar no porto seguro

Que qualquer forma (saudável) de reduzir o stress é benéfica. E que o tempo não tem preço

Que é fácil, tãããããããããão fácil queimar o nosso (pouco) tempo nesta época de distracção tecnológica! Isso exige um auto controlo espartano – e é por isso que escolhi a disciplina como palavra do ano 😉

Que a gratidão é, sempre sempre, o melhor remédio. Porque aquilo que hoje damos por garantido pode, pura e simplesmente, evaporar-se de um dia para o outro, por isso é melhor celebrar o que temos do que chorar o que perdemos.

melro

Dá para seguir o Mãegazine por mail, Facebook ou Pinterest. Até já!

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