Resoluções de Ano Novo | modo de usar

Depois de preparar o terreno para as habitualmente falhadas boas intenções de ano novo, evocando as extraordinárias virtudes do mês de Dezembro, volto à carga com esta história de resoluções de ano novo. Por uma razão muito simples – este ano não quero falhar.

Depois de um final de ano particularmente stressante, chego à conclusão que all I want for Christmas New Year is:

paz_Joyce Schellekens

Paz de espírito e menos stress

(e mais umas coisitas)

Não estando previstas alterações de cenário ou de ambiente (não conto encher os putos de anti-histamínicos para não me chatearem) (although…), tem de haver algo que me ajuda a sair do perpétuo e agravado estado de #fabiennelepicsaidomeucorpo.

Por isso, toca a fazer os trabalhos de casa, de marcador em punho e caderno de notas. Sublinhei o Workbook da Dra Laura Markham que já aqui referi, e conto fazer o mesmo com o livro para lidar com as brigas de irmãos. Caramba, se é psicóloga clínica, com doutoramento, especialista em parenting, deve perceber um bocado mais da coisa do que alguém apenas bem intencionado. Don’t get me wrong (isto hoje anda muito inglesado…), não tenho nada contra pessoas bem intencionadas. Mas há médicos que estudam anos a fio e há o Dr. Google. Chamem-lhe mania minha, mas tendo a confiar mais nos primeiros… 

E não descobri a fórmula mágica, porque não existe, mas fiquei lá perto.

Diz a certa altura a autora we can only give our families what we have inside. Days crammed full of extra tasks and nights with less sleep than ever are a recipe for you to crash and burn (…) and guaranteed to take your whole family down with you.

Ouch (isto do inglês perdido por cem…). É isto que eu quero levar para 2016? Way NO! Mas como a ideia dela é ajudar, e não apenas descrever a minha vida, prossegue:

Keep it simple. In parenting, your mood matters more to your kids than anything else.

Life is not a dress rehearsal: don’t postpone joy!
Ever notice that when you find your way to your own internal fountain of well-being, it overflows onto your kids and you’re a more pacient, loving, joyful parent? Quite simply, we can only give what we have inside. That’s why Job One in becoming an inspired parent is learning to take better care of ourselves.

(eu sabia! daí o meu mãedamento nº1, mais focado no consolo do que na prevenção, though)
E ela explica como é que isso acontece? Thankfully! E passo a uma parte da solução:

We all want to give our families and ourselves that wonderful sense of abundance, of being gifted by life. But that feeling isn’t created by buying things, is created by enjoying them. (…) And if we ourselves want that feeling of plenty, research shows that the most effective way to feel gifted by life is to count our blessings.

Recapitulando – só damos o que temos cá dentro. Se esticamos demasiado a corda, não dormimos e nos enchemos de afazeres, o mais provável é esgotarmos todos os recursos internos, como a paciência, empatia*, alegria**, gentileza. Não é isso que queremos. Procuramos aliás o oposto – procuramos, para nós e para os nossos, a sensação de completude, de preenchimento interno, de abundância, que vem de gozarmos e não de termos as coisas (experiência vs possessão). E todas as pesquisas e estudos apontam para que a forma mais eficaz de conseguir isto é contar as bênçãos (em linguagem menos poética é fazer listas de coisas que nos correm bem e das quais estamos gratos).

Por isso se tiver de fazer APENAS uma boa resolução para 2016, vai ser encher um caderno com o que de bom se passa na minha vida. Contar as minhas bênçãos, todos os dias (ou lá perto).

Mas a psicóloga norte-americana não fica por aqui. O livro no qual me baseio para escrever este artigo (e que está globalmente em open source aqui), foca também, e muito concretamente, a questão das boas resoluções. Vamos a isso.

A Dra Laura Markham diz que as pessoas têm muito boas intenções, mas que lá para meados de Janeiro já quase toda a gente atirou a toalha ao chão. Mas há uns quantos que levam a água ao seu moinho, e discrimina os segredos para o sucesso:

  1. Priorizar – não dá para fazer tudo ao mesmo tempo: deixar de gritar, perder peso, ter uma promoção (isto só nos EUA, ahahah), por isso o melhor é começarmos por escolher um objectivo razoável, tangível para Janeiro, criando uma lista dos objectivos seguintes. Assim ganhamos ânimo para continuar, um de cada vez.
  2. Começarmos por nos centrar. Antes de atacar um objectivo grandalhão, escolher um mais pequeno para nos colocar bem os pés no chão. Ela sugere que nos comprometamos com 10 minutos diários de meditação, oração, canto, sentir gratidão ou escrever num diário. É que diversos estudos apontam para que apenas 10 minutos diários a fazer qualquer uma destas actividades serve para baixar os níveis de stress, aumenta a felicidade e ajuda a perder peso (!).
  3. Traçar um plano. O que é que vamos fazer, dia após dia, para conquistarmos o que queremos? Ela sugere que tomemos notas e escrevamos essas acções concretas, com um dia livre (para recuperar atrasos ou simplesmente descansar). Dá como exemplo acordarmos 10′ mais cedo para o tal tempo de introspecção.
  4. Um dia de cada vez. Conseguimos algo durante uma hora, até mesmo uma tarde. A partir daqui dá para esticar até um dia inteiro e, sem nos darmos conta, já passou uma semana e depois um mês. E quando fazemos asneira? Planificar igualmente esses dias inevitáveis. Os grandes objectivos só são realizáveis se os desconstruirmos em pequenas partes, que vamos conquistando um dia de cada vez.
  5. Rever e recapitular. Criar a rotina de rever o nosso objectivo todos os dias à mesma hora, com generosos reforços positivos a nós mesmos por cada dia que passa para o conquistarmos. E se não estiver a funcionar? Talvez o plano ou objectivo tenha de ser revisto…

Para que um hábito se implante, temos de fazer determinada coisa 3 ou 4 semanas seguidas. Com essa repetição conseguimos reconfigurar o nosso cérebro, criando novas ligações sinápticas. Por isso é que é importante fazer as coisas por camadas, uma resolução depois da outra, de forma consistente, caso contrário as hipóteses de falhanço são gigantescas.

 

E agora só falta escrever as minhas resoluções. Ainda não se se as publique ou as guarde para mim. É que o simples facto de anunciarmos uma coisa nos compromete, aumentando assim as chances de que se realizem. Vou pensar no assunto. Até lá, mais duas coisas:

*empatia – tenho um artigo tão bom, tão bom, tão bom para publicar aqui sobre a empatia! É de uma outra psicóloga clínica, igualmente doutorada – mas portuguesa 🙂 Vai ser para começar o ano em beleza por estes lados. Podem espreitar o seu site aqui

**alegria – nesta quadra tropecei em dois textos que abordam a alegria, ambas de teor teológico. Um é uma homilia do padre Tolentino e fala da dificuldade e da fugacidade da alegria. Outro é um artigo do Washington Post, no qual li a seguinte frase – God grants joy, rather than happiness, because joy can account for suffering, while happiness cannot. Dá que pensar, ou sou só eu?

Boas resoluções!

ilustração de Joyce Schellekens

melro

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5 comentários sobre “Resoluções de Ano Novo | modo de usar

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