Pensamentos soltos de Verão 

 

virginie Morgand 2

1. Há quem não tenha ideias para continuar blogues. Eu tenho as ideias, não tenho é o tempo – ou melhor, a disponibilidade para o fazer. A verdade é que comecei o Mãegazine quando estava e licença de maternidade, quando o tempo esticava um pouco mais porque o bebé ia dormindo e não tinha horário completo laboral a cumprir. A realidade mudou e agora não só tenho o trabalho a tempo inteiro, como tenho três miúdos à perna, raramente posso delegar o trabalho ou a miudagem, outros desafios profissionais impõem-se e roubam-me o pouco tempo disponível. A isto acresce quatro anos seguidos a acordar inúmeras vezes de noite e muito, muito, muito cansaço acumulado. Não regressava à minha vida pré filhos, mas isto consome a saúde, física e psíquica.

O Mãegazine vai por isso sendo alimentado na medida do possível, às vezes com maior intensidade, outras vezes com hiatos maiores ou menores, mas sem qualquer vontade de ficar por aqui 😉

Richard Zielenkiewicz

2. As férias com miúdos são esgotantes. Não sei como é com famílias mais pequenas (ou melhor, sei mas não me lembro), mas 3 é dose e a partir de 3 é a loucuraaaaaaa.

Li há uns dias um artigo que falava das duas décadas que as famílias atravessam. Durante a primeira década, sobrevivemos e achamos que vai ser sempre assim: vem para a mesa, vem para a mesa, vem para a mesa, VEM PARA A MESA; come com a boca fechada, come com a boca fechada, come com a boca fechada, COME COM A BOCA FECHADA; vai tomar banho, vai tomar banho, vai tomar banho, VAI TOMAR BANHO; deixa de bater na tua irmã, deixa de bater na tua irmã, deixa de bater na tua irmã, DEIXA DE BATER NA TUA IRMÃ e por aí fora, e por aí fora, e por aí fora, E POR AÍ FORAAAAAAAAAA.

Depois vem a segunda década (bem-vinda, querida adolescência!) (…), onde basicamente colhemos (parcialmente?) (totalmente?) os frutos do que fomos plantando na 1ª década. Como ainda não cheguei lá, ainda é uma incógnita para mim, mas supostamente há coisas mais simples, pelo menos dá para dormir mais e/ou melhor (excepto quando entramos na fase liga quando chegares, chega antes das 4 sff) e as crianças têm mais auto controlo. Mas por enquanto não têm nenhum e o meu anda pelas ruas da amargura.

No pouco tempo que tenho para ler (roubado entre idas à casa de banho na maior parte das vezes), não encontro respostas escritas em português que me interessem (e por isso comecei este site). A maior parte dos sites dedicados à família vendem imagens e textos lindos de famílias perfeitas, educadas, penteadas e bem comportadas – o exacto oposto da realidade que conheço. Procurei perceber o porquê e até escrevi um artigo sobre este fenómenoAs férias são o ponto em que as realidades diferem ainda mais do que é costume.

Procurei um bocado e encontrei aqui e ali algumas respostas que me dão ânimo e, paradoxalmente, alguma dose de culpabilidade, porque fico sempre aquém do alto nível de exigência que tenho para mim (e que não devo ser a única, tal o sucesso do artigo 10 razões pelas quais provavelmente és melhor mãe do que aquilo que pensas)

A melhor resposta que encontrei para as férias é um Guia de sobrevivência para as férias em família da minha guru Laura Markham. Eu sei que isto vem um bocado tarde e fora de horas, mas o artigo vale mesmo a pena. Gosto especialmente da expressão Family Vacation Stress Syndrome, que podemos traduzir por Precisarmos de férias depois das férias 😉

virginie Morgand 1

 

3. Durante as férias na praia tive uma epifania – a de que há um antes e um depois dos filhos no que diz respeito ao corpinho. Deixemo-nos de tretas dos iogurtes assim ou granolas assado. O mulherio que tem filhos tem os filhos estampados na barriga em 97% dos casos.

Armada em modernaça, apostei na compra de 3 biquinis, depois de ver em fotos que o branco já tinha 10 anos. Em contraluz a coisa disfarça nas fotos, mas a luz das 11h não perdoa. Não me perdoa a mim nem aos outros, e Portugal é um dos países da União Europeia com maior nível de obesidade ou excesso de peso, já a rondar os 70% da população (!!!).

Isto é assustador nomeadamente a nível genético, porque as mudanças de hábitos de vida e alimentação têm provocado mudanças muito rápidas que se inscrevem no nosso ADN, que as mães acabam por passar para a geração seguinte…

No que me diz respeito, a saúde e a estética é o que me chateia mais, mas pensando que tenho 3 filhos e tal, fui-me desculpando das tabletes para compensar as noites mal dormidas… até que topei uma holandesa com 4 filhos já mais crescidos e que me batia 10 a 0, pelo corpinho e pelo estado de zenitude (as crianças estavam todas entretidas a construir um mega castelo de areia e só percebi que eram seus filhos ao fim de mais de uma hora, em que, pasme-se, esteve a ler na praia!!!) (!!!!!).

Não sabemos como é a vida alheia, mas que a holandesa estava nos meus antípodas, isso é de caras.
É por ser holandesa? São as tugas mais apaixonadas na forma como se manifestam no VEM PARA A MESA JÁ TE DISSE N VEZES? É por ser do Norte da Europa? #fabiennelepicsaidomeucorpo

Quero acreditar que é pela disciplina. E quero acreditar que a disciplina dá frutos. E quero ter esses frutos e por isso quero disciplinar-me melhor neste novo ano lectivo que está à beira de começar. Por isso quero começar em beleza Setembro, que é uma espécie de Janeiro.

virginie Morgand

Eu sei, eu sei, estou até farta de escrever sobre as boas intenções e sobre como podemos levá-las a bom porto. Não sou ingénua o suficiente para dizer que vou mudar radicalmente de forma como levo a vida e vai andar tudo sempre na linha, mas a holandesa fez-me repensar nas minhas escolhas. É uma motivação como outra qualquer, o que está em causa não é uma fulana com quem nos cruzamos na praia, é a forma como esse momento nos faz repensar na nossa própria relação com a comida, o sono, o auto controlo, a disciplina e higiene de vida, que se reflecte no corpo e na forma como nos relacionamos com os outros. Por isso vou (tentar) arregaçar as mangas e tratar melhor de mim, aplicando a minha máxima de cuidar de mim em 1º lugar.

(e sou capaz de traçar um plano. alguém se quer juntar?)

melro

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2 comentários sobre “Pensamentos soltos de Verão 

  1. Eu acho que a Holandesa foi bafejada pela genética e que os 4 filhos estão habituados que ela não ande atrás deles com medo que se percam ou que andem à bulha. Depois de se queixarem 30 vezes que o mano bateu-me ela provavelmente diz sempre “amanhem-se” 😀

    Curtido por 1 pessoa

    1. É provável as duas coisas. Eu não me posso queixar da genética, mas temos de dar uma ajuda e não abusar, aqui está a diferença 😉
      Eu também não ando a correr atrás dos miúdos com medo que se percam (até me vêm entregar o bebé que acham estar abandonado) o que não me impede de ter uma gritaria diária à perna… Estou convencida que é muito da idade dos putos também… Oxalá 😊

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