A foto do ano

Chegada esta altura do ano, é o momento de preparar *a* foto do ano. E não, não me refiro à foto que tiram na escola aos meninos, para a qual muitas das vezes nos esquecemos da data certa e logo naquele dia foram eles que escolheram a roupa (soma pontos na autonomia, corta pontos no look), com as calças já demasiado curtas e para mais com a joelheira a descolar. Não.

familia maegazine

A foto do ano é a foto oficial da família nesse ano. Adorava ter orçamento para uma sessão catita com fotógrafo e pós produção de imagem e livrinho e o diabo a 7, mas hélas, não é o caso. Mas não é por ser mais frugal que tem de ser uma coisa mixuruca! Para a foto oficial do ano há sempre sessão fotográfica, mas com a reflex lá de casa e um tripé que a cada ano nos lembramos (só nesta altura) que é demasiado pequeno, tem um pé partido e já merecia uma reforma.

 

A foto do ano também tem pós produção, mas caseira (que ainda vou dando uns toques no Photoshop, onde aliás faço os desenhos todos). Faz-se um bom enquadramento, põe-se muita luz para cortar as rugas que aparecem, faz-se uma boa composição (eventualmente com padrões), escreve-se Boas Festas/Feliz Natal/Feliz Ano Novo e vai a imprimir às dezenas, tamanho standard (10×15).

 

A foto do ano serve, pois, como postal de Natal, mas um postal mesmo personalizado! Está bem, no verso aparece a marca do papel fotográfico e o nome do ficheiro jpg, mas isso são minudências. As canetas permanentes (para escrever em cd) são as melhores e, uma a uma, lá vai escrita a mensagem.

 

A foto do ano é um dos miminhos que mais gozo nos dá oferecer aos que gostamos e segue sempre de correio, num envelope com selo. É tãããããão bom receber cartas! Tirando as contas para pagar, notificações oficiais (ui!) e lixo publicitário, o que é que recebemos na caixa do correio?! Quase nada! Foi para contrariar esta triste tendência que inaugurámos esta tradição familiar. Mas tenho a acrescentar que:

 

A foto do ano é um martírio para tirar. Ponto. Sejamos honestos – arrancar a tropa toda de casa para ir para a escola (mesmo quando só há um) é um tormento. Agora imaginem isso um dia inteiro, essa tensão o tempo todo. Ah pois! Não sei como é com as sessões pagas, mas deve ser muuuuuito mais fácil, dadas as carinhas larocas de inefável felicidade familiar. Estas não, estas são a doer: escolher a roupa; fazer com que os miúdos a vistam e não a encham de nódoas ou sujidade entretanto; arrancá-los de casa (45 minutos no mínimo, entre chichis, fraldas trocadas, fomes súbitas, invizimals perdidos, birras para calçar, etc); ir até ao local escolhido; escolher o melhor enquadramento; montar a tralha toda (tripé, máquina, focar, etc); reunir toda a gente; fazer com que olhem todos para a máquina, já agora a sorrir; ralhar por estarem a fazer caretas; evitar que tirem a máquina/tripé/enquadramento do sítio, porque querem ver a foto; gira o disco e toca o mesmo. Várias demasiadas vezes. Depois de dezenas de fotos (a opção com 10 disparos de seguida é muito nossa amiga), podemos eventualmente relaxar um bocado. Nessa altura está tudo com os nervos em franja, eles e nós (precaver e levar bolachas e coisas para a quebra de açúcar no sangue). Como é Outono o dia acaba cedo e ou tirámos a foto antes de almoço, ou está já a anoitecer. Porque com isto tudo a idílica ideia de tirar a foto depois de almoço realiza-se apenas lá pelas 4 da tarde, com sorte.

 

A foto do ano tem, pois, de ser escolhida entre as largas dezenas de fotos quase iguais. É uma agulha no palheiro, mas lá está ela, a prova provada de que temos a família e os filhos perfeitos: bem vestidos, bem penteados, bem comportados, sorridentes, educados, que comunicam num registo aceitável de decibéis, dizem sempre por favor e obrigado, fazem os trabalhos de casa e a cama todos os dias sem estrebuchar, que trocam amabilidades entre irmãos às 19h e limpam sempre a boca antes e depois de beber água, para além de segurarem irrepreensivelmente nos talheres e pedirem licença para sair da mesa. São os meus meninos, são perfeitos e são meus.

Quanto a nós, pai e mãe, desabafamos um pouco (não muito porque acabamos por nos resignar) no olhar cansado, nas rugas que vão aparecendo e são corrigidas no Photoshop e no cabelo (muito) menos farto. Com os anos e a crescente maturidade sabemos que isto é mesmo assim e que, quiçá, um dia vamos ter saudades desta fase caótica. Agora mesmo, quando escolhemos as fotos e nos vemos a nós próprios do lado de fora, temos esta sensação de família perfeita pela sua imperfeição. E não a trocamos por nada no mundo.

 

PS – começamos a receber timidamente umas quantas fotos do género, de amigos e é tão bom! Quanto às nossas, consta que boa parte delas vão parar a frigoríficos espalhados pelo mundo.

PS2 – se precisarem de inspiração espreitem o site dos correios, que imprime selos ou postais personalizados. Ou babem com este site norte americano . Em qualquer uma das opções, o mais importante é uma boa foto, mai nada


É este o tipo de assuntos que se tratam por aqui – vida e tradições familiares, viradas para coisas que interessam verdadeiramente. Se te identificas, sugiro a subscrição por email, Facebook ou Pinterest! 🙂

 

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4 comentários sobre “A foto do ano

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